Quarta-feira, 21 de Outubro de 2020
superação

Esperança: confira relatos de pessoas que venceram o coronavírus

Pacientes relatam suas experiências com a doença, expõem sentimentos e destacam as lições aprendidas



WhatsApp_Image_2020-05-03_at_00.19.11_0CCC7E77-F282-4808-8232-6201542B6722.jpeg Kelly Tadros, Durango Duarte, Gloria Carrate, Roberto Kalil e Karla Angélica (da esq. para dir.) / Foto: Divulgação
03/05/2020 às 08:25

Enquanto a ciência caminha em busca de um tratamento certeiro ou a uma vacina eficaz para evitar a Covid-19, profissionais da saúde cuidam dos pacientes com o que a medicina oferece. Não há uma resposta única e tudo depende da evolução da doença em cada paciente. Medicados com antivirais, antibióticos, azitromicina, cloroquina, antitérmicos ou outros remédios, eles têm em comum, em seus relatos, o destaque para o apoio de amigos e parentes e a dor do isolamento absoluto imposto ao doente.

Roberto Kalil Filho



No início de abril, o cardiologista Roberto Kalil Filho, 60, foi acometido com a forma mais agressiva da doença, o qual apresentou uma pneumonia avançada provocada pela infecção do novo coronavírus.

O médico relata que no início, sentiu os mesmos sintomas de uma gripe, mas com o passar dos dias sentiu forte desgaste físico. “Nunca me senti tão mal na minha. As dores no corpo são intensas, parece que está arrancando um membro seu. E claro, vem o medo de estar lidando com o desconhecido”, explica Roberto Kalil.

Após tratamento intensivo, Roberto Kalil está curado, mas ficou uma lição: “Eu errei, pois se tivesse iniciado o tratamento assim que comecei a sentir os sintomas, não precisaria ter ficado internado”, afirma. Junto com a superação, triplicou a vontade de viver e trabalhar para salvar vidas. “Meu hobby é trabalhar 24 horas. Então, quero recuperar todo o tempo perdido”, garante o médico.

Gloria Carrate

“É uma doença silenciosa, devastadora e muda a nossa vida em menos de 24 horas, pois a cada dia é uma reação nova e afeta o nosso psicológico. É preciso ter muita fé!”, assim a vereadora Glória Carrate define a Covid-19. Apesar da doença ter se apresentado com sintomas leves, Carrate relata que foram dias intensos de isolamento, mas a fé e o apoio da família foram fundamentais para superar esse momento.

Além dela, o esposo, que é médico e tem 65 anos, e o filho, 28, também foram acometidos pela Covid-19. Ainda em recuperação, Gloria Carrate afirma que teve muita tosse seca e dores no corpo, mas conseguiu administrar o tratamento de todos da família em casa, com acompanhamento de médicos.

Mesmo após ter saído do período de transmissão, a vereadora afirma que segue em quarentena e faz um pedido. “Vou permanecer em casa, pois ainda estou me recuperando. Isso é o melhor para todos e me preocupo com a saúde do meu próximo. Usem máscaras, se cuidem e, se puder, fiquem em casa”, afirma.

Kelly Tadros e Durango Duarte

Considerados como um dos primeiros casos a ser diagnosticados em Manaus, o casal viveu momentos de tensão e incertezas diante do novo coronavírus. Embora infectados, o vírus reagiu de maneira diferente em ambos.

“Eu tive episódios de febre, perda do olfato e paladar, e pequeno comprometimento pulmonar”, relata a empresária Kelly. Já o publicitário Durango teve sintomas mais agressivos: “Nos primeiros dias senti dores musculares, nas articulações e cansaço. Quando fui internado no hospital, tive muita tosse, febre e baixíssima oxigenação. Nesses dias, confesso que temi não resistir ao coronavírus”.

Mesmo com a doença, Kelly foi fundamental no processo de auxílio para o esposo e pessoas próximas. “Eu não tive muito tempo de pensar, pois tive que agir rápido para ajudar o Durango e as pessoas que trabalham conosco, na qual uma delas tem 63 anos e era uma das minhas maiores preocupações por ser idosa”, explica. 

Depois desse momento crítico, o casal relata suas reflexões. “Posso afirmar que a vida não nos pertence. O coronavírus é uma roleta-russa. Ele pode ser letal, independentemente de cor, raça, credo, idade, formação, situação financeira. Seja atleta ou obeso, com ou sem comorbidades”, ressalta Durango.

“Acredito que nada acontece à toa. Nós fomos obrigados a desacelerar e dar valor a pequenos detalhes. Eu penso que as primeiras pessoas que foram tocadas por esse vírus, elas têm a missão de ajudar as outras agora, tanto os doentes como os que não foram infectados”, enfatiza Kelly.

Karla Angélica

Tudo aconteceu na volta de uma viagem a trabalho que fez a São Paulo no início de março. “Senti muita tosse seca, febre e com o passar dos dias veio o cansaço, perda do paladar e olfato. O que me deu um alerta foi um e-mail da empresa onde trabalho informando que algumas pessoas que estavam no congresso que participei terem positivado para a Covid-19”, relata.

Karla conta que providenciou o exame para Covi-19 em um laboratório particular e em  preferiu ficar em casa. “O que me salvou foi buscar logo o tratamento adequado. Providenciei logo o teste e me isolei dentro do quarto, tomando todos os cuidados para que meus três filhos e marido não fossem infectados. Fiz a administração dos remédios conforme orientação médica e deu tudo certo”.

Da doença, tirou lições: “Eu que passava 12 horas por dia trabalhando, agora tenho um outro olhar para a vida. Hoje consigo acompanhar mais meus filhos na escola, nas brincadeiras e até olhar com mais atenção para o nosso lar”, afirma.

Alerta

De acordo com Roberto Kalil, todos irão ter contato com o novo coronavírus, sendo que apenas 15% das pessoas irão apresentar sintomas leves e 5% da população vai sofrer com os sintomas mais agressivos da doença e precisar de hospital, com tratamento nas áreas de semi-intensivo e intensivo. “Esse número [5%] corresponde a muita gente. Se o isolamento é uma medida eficaz é preciso cumprir, pois isso diminui o número de internações, o achatamento da curva, e evita que o sistema de saúde possa entrar em colapso”, pondera o médico.

Repórter de A Crítica

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