Terça-feira, 02 de Março de 2021
Crise de oxigênio

Empresária que teve cilindros apreendidos pela polícia afirma que ação foi injusta

“Sujaram uma imagem que construímos em vinte anos, em minutos”



94f980d4-c8e8-4705-b067-580e497e1149_BF60B151-E541-42E8-9EC5-CCB4A7EA260B.jpg Foto: Junio Matos
15/01/2021 às 13:24

“Eu me sinto humilhada”, disse a empresária Heliana Martins, 50, que sofreu ataques virtuais depois que 33 cilindros de oxigênio da empresa dela foram apreendidos pela polícia, na noite de quinta-feira (14). A mulher afirmou que a alegação de que a empresa estava retendo os itens com fins de especular em cima dos produtos é falsa.

A empresa Fênix Comércio trabalha no ramo de fornecimento de gás industrial e medicinal há pelo menos 20 anos. De acordo com Heliana, o fluxo de compra de gases para fins medicinais aumentou devido à pandemia. Na noite de quinta-feira, a rua onde a empresa é localizada, no bairro Alvorada, Zona Centro-Oeste da capital, ficou interditada devido à movimentação de pessoas que queriam comprar oxigênio do estabelecimento.



“Toda vez que um caminhão chegava da fábrica, todo mundo vinha para cima. Nós entendemos, mas ficávamos sem saber o que fazer. Decidimos colocar nosso caminhão na rua debaixo, porque havia muita gente aqui e quase não dava para trafegar na via. Nosso veículo é muito grande”, disse a empresária.

Na ocasião, policiais da Secretaria de Segurança Pública do Amazonas (SSP-AM) foram até o local, após uma denúncia de que um homem estava retendo cilindros de oxigênio com o objetivo de gerar especulação. Os cilindros apreendidos no caminhão foram levados a unidades hospitalares de Manaus.

“Colocamos nosso caminhão em uma via aberta, à vista de todos. Estávamos tirando os cilindros de lá e trazendo à sede da empresa, para evitar aglomerações”, afirmou Heliana.

Ainda conforme a empresária, um transeunte filmou e fez fotos do caminhão e realizou a denúncia, com a suspeita de que a empresa estava restringindo o acesso da população aos cilindros.

“Detiveram meu cunhado e esposo. Sujaram uma imagem que construímos em vinte anos, em minutos”, disse Heliana.

Depois de esvaziar o veículo, a polícia devolveu o caminhão aos donos da empresa, junto de um documento com registro relacionado à ação.

Heliana disse que acionou um advogado. “Não me preocupo com ressarcimento pelos cilindros. Quero apenas que parem de sujar nossa imagem. Não aguento mais”, disse.

A equipe de reportagem contatou a SSP-AM, que se pronunciou explicando que a ação foi feita dentro da lei.

"A ação policial foi realizada a partir de uma denúncia, e o material foi encaminhado para a Polícia, onde o procedimento foi lavrado após o depoimento de um responsável pela empresa. A ação ocorreu dentro da legislação", informou a nota.


Mais de Acritica.com

Sobre Portal A Crítica

No Portal A Crítica, você encontra as últimas notícias do Amazonas, colunistas exclusivos, esportes, entretenimento, interior, economia, política, cultura e mais.