Sexta-feira, 30 de Outubro de 2020
COVID-19

Empatia, coletividade e medo: manauaras que seguem isolados explicam decisão

Segundo o levantamento mais recente, 47.484 casos já foram registrados oficialmente em Manaus, com 2460 mortes



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20/09/2020 às 10:36

Na contramão do que é exposto nas redes sociais com cenas constantes de bares lotados, aglomerações, festas e a falta de uso de qualquer tipo de medida de contenção da Covid-19, muitos jovens e adultos optaram por “comprar uma briga”  e continuar com o isolamento social, deixando de lado o hábito de sair a noite ou participar de reuniões com amigos.

De acordo com um levantamento feito pelo A CRÍTICA na última semana, a média diária de internações em Manaus por conta da doença subiu de 5,2 em agosto para 8 na primeira quinzena de setembro. Esse dado reforça ainda mais a necessidade de distanciamento social e o cumprimento dos protocolos repassados exaustivamente pelas autoridades de saúde para se evitar a disseminação do vírus.



A profissional de marketing, Suzy Braga, 34, sempre gostou de sair a noite e reunir os amigos, mas acredita que só vai retomar o hábito após a vacinação e uma imunização em massa. Para ela, muitas das pessoas que optam por continuar com suas saídas rotineiras consideram a diversão mais importante que a própria saúde. “Vejo também muita falta de empatia e amor próprio por parte de alguns que tem conhecimento da gravidade da doença, mas decidiram colocar sua diversão em prioridade diante à vida, própria e dos outros”, afirmou.

Ela também não descarta rever as amizades por não concordar com a atitude de quem mantém as saídas e diz que seu posicionamento não agrada a todos. “Muita gente me considera a ‘chata do isolamento’ e outros me chamam de exagerada e radical por não participar mais dos eventos com os amigos”. Mesmo com muitas pessoas reprovando seu comportamento, Suzy assegura que sabe que tomou a melhor decisão e não vai abrir mão de sua segurança.

Para a psicóloga Neyla Siqueira, as pessoas que mantém o isolamento não devem criar fortes atritos com quem pensa e age diferente. “Os que insistem fazer aglomerações e desconsideram as orientações de prevenção não o fazem mais por falta de conhecimento, pois já passamos por um momento crítico e todos sabem do potencial do vírus. Muitos agem dessa maneira por individualismo, egoísmo e também por seguirem orientações de lideranças que não conduzem a doença da melhor forma. Brigar com essas pessoas só vai gerar um desgaste emocional desnecessário em um momento que já é bastante complicado”, assegurou.

Ainda de acordo com a especialista, a negação à doença por parte da população já afetou diretamente a sociedade como um todo. “Estamos com a possibilidade de uma segunda onda de contaminação porque muita gente continua negando a ciência e isso é muito sério. O alto índice de contágio acontece porque em muitos momentos estão sendo tomadas atitudes isoladas sem levar em consideração como isso pode afetar o todo”, pontuou.

Neyla ressalta que quem mantém os cuidados à risca não deve sofrer uma influência negativa e precisa manter seus hábitos. “É hora de se resguardar, esperar melhores momentos, evitar brigas e continuar fazendo a sua parte. Isso não é egoísmo, muito pelo contrário, é manter o zelo por si e pelo outro”.

Acostumado a sair de casa praticamente todos os finais de semana, o publicitário Paulo Amaral, 29, afirmou que além da pandemia, agora precisa lidar com a decepção que tem com a maioria de seus amigos. “Entro nas minhas redes sociais e vejo que as pessoas voltaram a viver como se nada tivesse acontecendo. Parece que pensam que se ignorarem o vírus, ele vai embora”.

Paulo se disse ainda mais radical em relação à tolerância a esse tipo de atitude. “Não vou querer mais manter nenhum vínculo com quem faz o vírus circular e acho uma verdadeira falta de respeito sair para beber e festejar enquanto tantas pessoas estão lutando pela vida”.

Também adepta à manutenção do isolamento, Carol Soares (19) acredita que quem sai desnecessariamente está contribuindo de forma direta para o aumento no número de contaminados. “Só estão ajudando o vírus a se espalhar cada vez mais. Infelizmente essa ação vai ter um resultado muito negativo logo”, acredita. Ela assegura que mantém os mesmos cuidados que tomava desde o início da pandemia. “Isso é um ato de amor com o próximo e podemos nos manter em segurança antes de voltarmos às aglomerações. Quem acha que está tudo normal e sai desnecessariamente para festas, praias ou shoppings está agindo com irresponsabilidade”.

Segundo o levantamento mais recente, 47.484 casos já foram registrados oficialmente em Manaus desde o início da pandemia. Ao todo, 2.460 pessoas morreram na capital amazonense em decorrência de complicações da doença.

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