Segunda-feira, 13 de Julho de 2020
RETRATO

Em Manacapuru, idosos representam 90% dos óbitos por covid-19

Dos 46 municípios do interior do Amazonas atingidos pela pandemia do novo coronavírus, Manacapuru continua ocupando o amargo primeiro lugar, com 256 casos confirmados e 17 mortes



WhatsApp_Image_2020-04-27_at_10.42.48_7879F422-E768-49EB-9497-37ABA3A5A9EA.jpeg Foto: Divulgação
27/04/2020 às 11:21

O Amazonas registrou mais 198 casos de Covid-19, ontem, totalizando 3.833 casos confirmados do novo coronavírus no Estado, segundo boletim epidemiológico divulgado pela Fundação de Vigilância em Saúde (FVS-AM). Também foram confirmados outros 17 óbitos pela doença, elevando para 304 o número de mortes. E deste total de 3.833 casos, 2.722 são de Manaus (71%), onde se localiza o epicentro da doença no Estado, e 1.111 são do interior (29%), com destaque para o município de Manacapuru, distante 100 quilômetros da capital.

Dos 46 municípios do interior do Amazonas atingidos pela pandemia do novo coronavírus, Manacapuru continua ocupando o amargo primeiro lugar, com 256 casos confirmados e 17 mortes. Os idosos manacapuruenses têm sido os mais atingidos pela doença. O primeiro caso de Covid-19 na cidade foi registrado no dia 27 de março.



A explosão de casos no município, além da proximidade com a capital Manaus, tem a ver também com a falta de cuidados básicos de proteção de famílias com idosos, que correspondem a 90% dos óbitos registrados, de acordo com o boletim epidemiológico do município divulgado na última sexta-feira. O boletim aponta que, dos 17 pacientes que morreram, 15 tinham idade mínima de 60 anos e somente dois casos eram de pacientes entre 40 a 59 anos.

Ainda segundo o boletim, o número elevado de óbitos entre os idosos é consequência deles não serem levados imediatamente ao hospital a partir do momento em que manifestam os primeiros sintomas – e quando recebem os devidos cuidados já estão com o sistema respiratório bastante comprometido.

Outro agravante notado pela Secretaria de Saúde de Manacapuru é que, por conta da falta de cuidados básicos de proteção, muitos familiares estão contaminando os idosos. Para enfrentar a pandemia, a prefeitura de Manacapuru montou um hospital de campanha na estrutura de uma clínica médica desativada com 38 leitos exclusivos a pacientes positivos para Covid-19 e três leitos UCI (Unidade de Cuidado Intermediário).

O hospital de campanha conta com sete aparelhos CPAP (sigla em inglês para Continuous Positive Airway Pressure), que enviam um fluxo de ar contínuo para as vias respiratórias -obtidos graças a parceria com um hospital privado. De acordo com o titular da Saúde de Manacapuru, Rodrigo Balbi, recentemente o governo estadual equipou três leitos de UCI da cidade.

“Ainda faltam mais dois leitos, chegando ao total de cinco. Foram disponibilizados três respiradores, três monitores multiparamédicos e 15 bombas de infusão”, disse.

O Hospital Lázaro Reis, conhecido como Hospital Geral de Manacapuru, segue atendendo normalmente os casos de urgência e emergência. No entanto, sem contar com uma Unidade de Terapia Intensiva (UTI), os manacapuruenses que têm o quadro agravado precisam ser levados para a capital, mas muitos deles têm esperado, em média, um dia para serem transferidos.

Medidas de contingência 

Para tentar frear o aumento exponencial de casos em Manacapuru, a FVS-AM realizou duas visitas técnicas ao município com intuito de alinhar as ações de vigilância epidemiológica,  sanitária e laboratorial. A Secretaria de Estado de Saúde do Amazonas (Susam), por sua vez, reforçou que cada município segue as recomendações do Ministério da Saúde e tem autonomia para realização das estratégias de enfrentamento ao novo coronavírus.

“A localização geográfica de Manacapuru pode ser um fator determinante para o elevado número de casos no município, que é rota de acesso da capital do Estado para diversos municípios da região do Rio Negro e Solimões, associado à pouca adesão da população ao isolamento social”, disse a Susam por meio de nota enviada à redação de A CRÍTICA.

Por conta disso, a prefeitura do município tem mantido uma barreira sanitária na entrada da cidade, adotou o recolhimento social e, por meio do decreto, o comércio não essencial segue de portas fechadas – pelo menos na teoria.

“Temos realizado fiscalização e orientação nas agências bancárias, principalmente na Caixa Econômica Federal em decorrência da liberação do benefício do Governo Federal. Os idosos estão recebendo vacinas em suas residências contra a H1N1, de acordo com a campanha nacional de vacinação. Distribuímos máscaras de tecido reutilizável e disponibilizamos higienização com álcool em gel para as pessoas que estão nas filas dos bancos. Também é realizado diariamente a desinfecção das ruas e de locais com aglomeração de pessoas”, informou a prefeitura de Manacapuru, por meio da assessoria de imprensa.

Além dessas medidas, com o apoio da Polícia Militar, a cidade adotou o toque de recolher, que dura das 20h às 6h da manhã. Durante à noite a população tem ficado em casa, mas durante o dia, mesmo com o comércio fechado, muitos ainda insistem em circular pela cidade.

 

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Repórter do caderno Cidades do jornal A Crítica. Jornalista por formação acadêmica. Já foi revisor de texto de A Crítica por quatro anos e atuou como repórter em diversas assessorias de imprensa e publicações independentes. Também é licenciado em Letras (Língua e Literatura Portuguesa) pela Universidade Federal do Amazonas (Ufam).

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