Segunda-feira, 13 de Julho de 2020
ALTERNATIVAS

De delegados a artistas: como manauaras têm enfrentado a quarentena

Diante dessa nova realidade, a equipe de A Crítica entrou em contato com profissionais, amazonenses e/ou residentes em Manaus, de várias áreas de atuação, para descobrir como cada um tem se adaptado ao desafio da reclusão



000_1Q94G7_8BA15FC9-FF91-4B33-B6B8-B89DB0922896.jpg Foto: Divulgação
30/03/2020 às 07:26

O primeiro caso da Covid-19 chegou ao Brasil em fevereiro deste ano, no estado de São Paulo. O primeiro infectado em solo amazonense foi registrado em março. Desde lá, são mais de 4 mil casos confirmados no país, com uma morte por Coronavírus ocorrida no Amazonas, segundo o Ministério da Saúde. 

Até o momento, não há medicamentos e nem vacinas contra o vírus. Em coletiva realizada neste sábado(28), o ministro da saúde, Henrique Mandetta, defendeu o isolamento social das pessoas que podem fazê-lo, afirmando que o contrário pode gerar uma sobrecarga do sistema público de saúde. 



Diante dessa nova realidade, a equipe do acritica.com entrou em contato com profissionais, amazonenses e/ou residentes em Manaus, de várias áreas de atuação, para descobrir como cada um tem se adaptado ao desafio da reclusão. 

Marco Aurélio Choy – presidente da Ordem dos Advogados do Brasil – Seccional Amazonas (OAB-AM) 

Choy, em quarentena há nove dias, tem saído apenas para atividades essenciais. Segundo ele, A OAB-AM tem realizado a maior quantidade de reuniões virtuais possíveis, para evitar o contato demasiado entre pessoas. “O desafio é conciliar o convívio da família com o trabalho em regime de home-office, organizando o tempo para todas as atividades”. 

O presidente da OAB-AM confessou que demorou para conseguir construir uma rotina de trabalho em casa. “No primeiro dia, me peguei na frente do computador de oito da manhã à oito da noite, fazendo várias reuniões. Mas agora montei uma agenda para reservar um horário para tudo, inclusive às atividades de lazer”. 

O advogado contou que gosta de assistir a filmes e séries, nas horas vagas. 

Débora Mafra – delegada titular da Delegacia Especializada em Crimes contra a Mulher (DECCM)

Em quarentena parcial há 11 dias, Mafra trabalha na DECCM das 8h às 18h. Quando chega em casa, pede tudo pelos serviços “delivery”, de entrega a domicílio. “A saudade dos amigos e parentes é enorme, porém apenas saio para trabalhar e uso todos os equipamentos de segurança, como máscaras, luvas e álcool em gel”. 

A delegada passou a participar dos cultos da igreja que frequenta pela internet, além de usar os momentos em casa para aprender italiano, por aplicativo, e assistir a filmes com a família. “Cozinho e converso bastante com eles”. 

Romahs Mascarenhas – cartunista, quadrinhista e roteirista dos Estúdios Maurício de Sousa

O artista confessou que demorou a praticar as atitudes de prevenção. “Comecei a me isolar gradativamente, bem como a lavar o rosto e as mãos”. 

Romahs estocou comida e medicamentos em casa de forma que não precise sair por duas semanas inteiras. “Se eu sair novamente, vai ser para ir ao supermercado e à farmácia”. 

Ocupado com as demandas da Mauricio de Sousa Produções (MSP), o desenhista tem conseguido se manter ativo. “Estou muito feliz, que, depois de quatro anos, eu vou ter uma história de abertura nos próximos lançamentos da revista Turma da Mônica”. 

Romahs tem mantido um regime de abdominais e agachamentos, para preservar a saúde física. “Eu comecei a cozinhar, depois de muito tempo sem tocar na panela. É muito divertido, porque a minha namorada me manda receitas”. 

Durante o período de reclusão causado pela Covid-19, o artista teme pela saúde mental de amigos. “Tenho amigos artistas que estão tendo muita dificuldade de ‘segurar a onda’. Conheço pessoas com crise de pânico, transtorno bipolar e depressão”. 

*Bibiano Fernandes – lutador de artes marciais mistas (MMA)

Atualmente morando no Canadá e competindo pela ONE Championship, Bibiano está em quarentena há três semanas. “Não tenho ido à academia. Toda a minha preparação física vem sendo feita na academia que tenho em casa”. 

Bibiano cessou os treinos de “sparring”, praticados por artistas marciais como forma de melhoramento do preparo físico. “Tô fazendo levantamento olímpico, que eu gosto, além dos outros exercícios de melhoria do condicionamento”. 

O atleta ressaltou a importância dos cuidados com a saúde mental. “É preciso estar sempre com a mente pura, por meio da meditação, prece, exercícios físicos e leitura”. 

Cláudia Medeiros – diretora da agência Paradise Turismo, sediada no Centro de Manaus 

Em quarentena há duas semanas, Cláudia  passou a cuidar da casa e família com maior frequência do que antes da pandemia. “Minha saúde mental é a minha fé, e eu tento transmitir a importância dela aos meus funcionários e familiares”. 

Os negócios da empresária, voltados ao turismo e à hotelaria, pararam devido à crise. “Os serviços de hotelaria param, porque ninguém está vindo a Manaus”. 

A empresária disse, que, embora a sede da agência tenha fechado, as atividades da empresa continuam a funcionar pela internet. “Damos todo o apoio a clientes que precisam, por exemplo, postergar suas reservas”. 

A empreendedora lamentou a situação dos moradores de rua, em meio à pandemia. “Se está difícil para nós, que temos nossos negócios e estávamos com o dinheiro rodando, imagine para quem mora na rua e está sem pessoas a quem pedir por algo”. 

Edilene Mafra – jornalista, pesquisadora e coordenadora dos cursos de Comunicação Social e Design Gráfico do Centro Universitário do Norte (UniNorte)

Portadora de anemia crônica, Edilene interrompeu as saídas de casa há duas semanas e mudou completamente a rotina devido ao isolamento social. “Minha vida era muito agitada, eu ficava fora de casa durante três turnos e focava os fins de semana para ir ao supermercado, shoppings, ou resolver problemas pessoais”. 

Da vida social, a jornalista sente mais falta de sair para tomar café com os amigos. “Gostava muito de ir às cafeterias e padarias”. 

Com a quarentena, Edilene ganhou tempo para fazer atividades, que, antes, sempre deixava para depois. “Arrumei meus livros, armários e gavetas. A primeira semana foi muito tensa: de adaptação à nova realidade”.

No início da quarentena, a jornalista chegou a ficar com dor nas costas depois de fazer faxina durante dois dias seguidos  em casa. “Tive que reorganizar o posicionamento de alguns móveis no escritório, pra poder participar de vídeo-conferências e deixar as coisas mais práticas. 

Produtora de um programa veiculado na Rádio Difusora do Amazonas, Edilene precisou se restringir às entrevistas por telefone e Skype. 

Nazaré Mussa – psicóloga, escritora e “youtuber”

Dona de um canal no YouTube, com mais de mil inscritos, voltado a cuidados de saúde mental, Mussa vem praticando o isolamento social há duas semanas. “Quando temos um trabalho já desenvolvido com nosso eu interior, conseguimos ficar bem em qualquer lugar”. 

A psicóloga mora com as duas filhas em um apartamento, e, desde o início da quarentena, tem focado as atividades de lazer em jardinagem, escrita e leitura. “Adoro cozinhar, mas não tinha tempo. Nem preciso dizer que voltei a praticar. Dei licença para a faxineira daqui de casa e passei a limpá-la inteira e passar todas as roupas”. 

A psicóloga decidiu atender gratuitamente pessoas que procuram ajuda psicológica dela, por meio do Instagram, além de ter adaptado todas as consultas pessoais aos serviços on-line, por vídeo-chamada.

Mussa aconselhou os indivíduos a aproveitarem o tempo livre para buscarem novos hábitos. “Uma boa leitura e o consumo de boas séries é muito bom, embora aquelas obras de terror, que aumentam a ansiedade e o estresse, devam ser evitadas”. 

Como atividades terapêuticas, a psicóloga recomendou a escrita de cartas a amigos e parentes distantes. “Imagine que você vai escrever a essas pessoas, no formato de escrita das cartas de antigamente. Coloque seus sentimentos, medos e use isso para falar com você mesmo”. 

Na opinião da profissional, o lado positivo do isolamento é que ele ajudará muitas pessoas a melhorarem o conhecimento intrapessoal. “O Coronavírus também veio para nos ensinar a importância de ficarmos à sós, conosco”. 

Os interessados podem assistir aos vídeos de Mussa clicando aqui, ou seguir no instagram: @nazaremussa. 

Outros métodos de prevenção

O Ministério da Saúde aconselha que as pessoas lavem as mãos com água e sabão ou usem álcool em gel, cubram o nariz e a boca ao espirrar ou tossir, mantenham ambientes bem ventilados e não compartilhem objetos pessoais. 

O toque do aperto de mão é a principal forma de contágio do vírus. Além dela, ele também pode ser transmitido por meio das gotículas de saliva, espirro, tosse, catarro e objetos ou superfícies contaminados, como celulares, mesas, maçanetas, brinquedos, teclados de computador, etc. 

Os sintomas mais comuns são febre, tosse, dificuldade para respirar e outros sintomas gripais. 

O ministério da saúde recomenda, que, em caso de aparecimento de sintomas, o indivíduo ligue para 136 ou procure um posto de saúde.

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