Domingo, 27 de Setembro de 2020
PREVENÇÃO

Cuidados devem continuar mesmo após pandemia, afirma infectologista

E amanhã, o que será? Infectologista, empresariado e público manifestam preocupação neste momento de desaceleração do vírus



dfdf_A1A40D4A-A6A1-448F-A1BB-C042F77D2F83.jpg Foto: Winnetou Almeida
03/08/2020 às 13:45

Higienização das mãos com álcool em gel, uso de máscara e distanciamento social. Com a redução dos casos e óbitos por Covid-19 no Amazonas, segundo dados do consórcio de veículos de imprensa brasileiros, as medidas de proteção contra o novo coronavírus cairão em desuso numa eventual pós-pandemia? O infectologista Alexandre dos Santos Souza afirma que as recomendações e orientações devem permanecer mesmo com a desaceleração.

“O distanciamento social, higienização das mãos e uso de máscaras deverão permanecer. Deve-se evitar antigos hábitos como saudações através de aperto de mãos, abraços ou beijos”, recomenda.



Ausência de vacina, risco de uma reinfecção ou nova onda de Covid-19 e simples cuidados com a higiene são fatores que podem influenciar na decisão de manter as medidas de proteção. Em paralelo, outros hábitos adquiridos no isolamento também vão perdurar, analisa a psicóloga Layanne Novoa.

“A vida no pós-pandemia será modificada, e de fato hoje observamos pessoas fazendo coisas que já não estavam fazendo antes. Reinventando-se, descobrindo-se, e medidas saudáveis têm sido tomada por pessoas que sequer tinham consciência disso”, diz Novoa.

“Não se deve descuidar só porque o índice de transmissão reduziu. Isso não quer dizer muita coisa, as pessoas se baseiam muito pelo senso comum e é isso que as vezes atrapalha”.

O feirante Jaziel dos Santos Silva, 41, considera necessário manter os procedimentos para evitar contaminação por outras doenças, mas a população e os próprios colegas ainda resistem às orientações.

“Aqui (na Manaus Moderna), a fiscalização precisa ficar em cima direto”, afirma. Com receio de sofrer prejuízos nas vendas, o comerciante Alexssandro Silva de Oliveira, 36, acabou aderindo à máscara.

“Corremos risco o tempo inteiro, a pandemia não acabou. Se a máscara fosse eficaz, seria utilizada desde o início”, contesta. A eficácia do álcool em gel é outro motivo de dúvida.

“As pessoas saem pegando nos produtos e esquecem de limpar as mãos. O álcool evapora rápido. Se funcionasse, seria preciso utilizá-lo apenas uma vez”. “É questão de má fé”, resume o mestre de obras Paulo Gomes, 66, a respeito do relaxamento no uso da proteção facial. “O ideal seria se manter prevenido. Vai continuar com certeza”, opina.


Paulo Gomes define o não uso de máscaras como má fé da população. Foto: Winnetou Almeida
 

Orientação

A Secretaria Municipal de Agricultura, Abastecimento, Centro e Comércio Informal (Semacc) esclareceu, por meio de nota, que o trabalho de orientação é feito por comissões de gestores e administradores dos espaços, responsável pela cobrança do cumprimento das medidas. Não há nenhuma forma de punição prevista.

Inovação agora e no futuro

Num futuro próximo, as medidas deverão receber inovações, como desinfetantes com maior capacidade de proteção e máscaras antibacterianas, aposta o dono da lanchonete Braga Burger, Filipo Mateus Braga.

Inaugurado há dois anos no bairro São Francisco, Zona Sul, o negócio também registrou despesas com produtos de limpeza e proteção. “Os clientes cobravam muito o EPI (Equipamento de Proteção Individual) na entrada de condomínios e vilas”, fala Braga. “Não aumentamos o preço do produto, e fizemos o total controle para que não houvesse desperdício”.

Bastaram três dias para que os funcionários se adaptassem às novas regras. “Todo tipo de informação era de fácil acesso”, diz ele, que garante a manutenção desses procedimentos.

Mais despesas e distanciamento

O sócio do restaurante Barollo, Raian Duarte, avalia que as despesas com material de limpeza aumentaram 15%, sem contar os gastos iniciais para aquisição de máscaras e higienização do estabelecimento. “No aspecto financeiro, o que mais afeta é a diminuição do número de lugares”. Deve-se observar o distanciamento entre as mesas, onde pratos, taças e talheres são colocados após o cliente sentar na cadeira. No entanto, ele afirma que as medidas serão continuadas. “Não temos vacina para o vírus, então vamos ter que continuar nos prevenindo até que isso aconteça”, ressalta.

Na opinião da empresária Maira Figueira, proprietária de um salão de beleza no bairro Parque Dez, Zona Centro-Sul, a precaução se tornou uma estratégia para obter a fidelização da clientela. Por isso, as medidas deverão ser seguidas até o final deste ano, pelo menos. “A pandemia continua, e algumas pessoas ainda se sentem inseguras. Ao ver que estamos adotando essas normas, eles ficam mais tranquilos para vir ao salão”, conta Figueira.

A empresária lembra que vários procedimentos de prevenção ao novo coronavírus já eram adotados pelos salões de beleza, com base nas orientações da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).

“Fora isso, pedimos que os clientes usem máscaras, utilizem o álcool em gel e o tapete sanitizante na entrada e não tragam acompanhantes. Estamos atendendo em horários agendados e elaboramos escalas para os funcionários”.

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Repórter de Cidades
Formado em Comunicação Social/Jornalismo pela Universidade Federal do Amazonas (Ufam). Além de A Crítica, já atuou em uma variedade de assessorias de imprensa e jornais, com ênfase na cobertura de Cidades e Cultura.

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