Terça-feira, 02 de Março de 2021
Falta de oxigênio

Crise longe de acabar: Familiares ainda encontram dificuldades para conseguir oxigênio para pacientes

Pessoas estão ficando mais de quatro horas na fila e não conseguem comprar oxigênio



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16/01/2021 às 11:07

Aglomeração e desespero. Na corrida contra o tempo, familiares de pacientes que necessitam de oxigênio, se concentram na manhã deste sábado (16) em frente à empresa fornecedora de gás, Nitron da Amazônia, localizada na avenida do Contôrno Norte, Distrito Industrial de Manaus.

Com três dias na fila de espera para aquisição, o contador de 53 anos, Dimas Alves da Silva, clama pela liberação de venda do oxigênio, devido o risco de vida que seus pais estão enfrentando.



 "[Há] três dias eu já estou na fila. Eles estavam vendendo, quando estava faltando dez cilindros pra chegar minha vez, chegou uma ordem judicial e parou. Agora só vende para hospital. Só com ordem judicial agora. Eu estou com meu pai de 86 anos precisando de oxigênio. Minha mãe de quase 80 também com Covid-19 precisando de oxigênio. Os [agente dos] Samu que vão lá, dão um pouco de oxigênio e voltam. Eles vão com uma garrafa pequena de 1kg, mas não dá pra quase nada. É assim que estamos sobrevivendo. Tá complicado a coisa. Cheguei 6h da manhã e já são quase 10h e não fui atendido", comentou o contador.

De acordo com o assistente administrativo de 30 anos, Richard Rodrigues, o poder público está esquecendo que há também pessoas necessitando de oxigênio nas suas casas. Segundo Richard, o fornecimento de oxigênio é essencial para todos.

"Nem na White Martins e agora estamos na Nitron. Estou aqui há três dias. O meu cilindro é o primeiro que está na fila. Tinha mais de 38 pessoas na minha frente que foram dispensados pelo toque de recolher. Eu insisti para continuar esperando porque tem pessoas que dependem de oxigênio. A empresa pediu para fazermos uma lista. São 58 pessoas que tem balas de metros cúbicos. Pessoas que tem parentes em casa morrendo asfixiados. Sem oxigênio. Pedimos ao governo que levou todos os cilindros. Nós que temos pacientes que estão em casa, também estão precisando. Além dos pacientes do hospital. Não está chegando para nós. Pelo amor de Deus, a empresa tem. Nós sabemos que tem. Se não tivesse, como que está saindo oxigênio toda hora?", descreveu o assistente.

Richard Rodrigues acrescenta ainda que aguarda um posicionamento do poder público perante a situação. Pois, os familiares estão dispostos a pagar, bastando apenas a liberação.

"As pessoas estão se tratando em casa, pelo nosso bolso. Ou seja, menos leitos nos hospitais. Esperamos que libere pelo menos 30% dos oxigênio. Todos que estão aqui nessa fila vieram para pagar. Ninguém aqui está pedindo. Nós estamos dispostos a pagar. Solicitamos ao poder público que olhe para nós. Não há ninguém que veio representar a população até o momento", acrescentou Rodrigues.

Segundo oficiais da Polícia Militar do Estado do Amazonas (PMAM), que estavam no local, a empresa notificou que não há como fornecer oxigênio para a população. A orientação é que ninguém aglomere em frente à unidade, pois na quarta-feira o fornecimento de gás será reestabelecido para a população.

O A CRÍTICA solicitou uma nota da Secretaria de Estado de Saúde do Amazonas (SES-AM) a respeito da ordem judicial relatada pelos familiares de pacientes e até a publicação desta matéria aguarda o posicionamento.


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