Quinta-feira, 02 de Julho de 2020
CORONAVÍRUS

Covid-19 assola Urucu e trabalhadores da Petrobrás são isolados em hotel de Manaus

São 26 profissionais isolados em um andar do Hotel Taj Mahal, em Manaus. Segundo o Sindipetro Amazônia, cinco funcionários já testaram positivo para a doença e um está entubado em um hospital particular da capital amazonense



dig2756_C4931E1F-84A3-4086-9ED8-EE130439FAA0.jpg Foto: Divulgação
19/04/2020 às 18:00

O processo de interiorização do novo coronavírus (Covid-19) nos municípios do Amazonas tem causado um drama em trabalhadores da província petrolífera de Urucu, em Coari (distante 650 quilômetros de Manaus). Considerados ‘essenciais’, os profissionais que atuam na área de extração e produção de gás natural se veem em meio ao risco de contaminação pela doença e à necessidade de serem levados ao isolamento, longe das famílias, em um andar do hotel Taj Mahal, em Manaus, caso apresentem sintomas.

A denúncia foi feita pelo Sindicato dos Trabalhadores na Indústria do Petróleo (Sindipetro Amazônia), que representa trabalhadores dos estados do Pará, Amazonas, Maranhão e Amapá. Segundo o sindicato, 26 funcionários da Petrobrás que atuavam em Urucu e apresentaram sintomas do novo coronavírus foram levados para Manaus. Desses, cinco já foram confirmados com a doença e um está entubado em um hospital particular, enquanto os outros esperam resultados dos testes. Números de sábado (18) da Fundação de Vigilância em Saúde (FVS-AM) apontam para dois casos confirmados no município de Coari.



O sindicato acusa a Petrobrás de negligência e alega que inicialmente foi disponibilizado um hotel de baixa qualidade em Manaus, sem qualquer assistência inicial da direção da empresa, para receber os que desembarcaram após apresentarem sintomas e ficarem em isolamento. Segundo o Sindipetro, apesar da mudança para o Taj Mahal, continuam as reclamações relacionadas à qualidade das acomodações do local.

“Infelizmente a Petrobrás não tomou as devidas medidas a tempo e agora estamos vivenciando um surto de casos. Já foram desembarcados dezenas de trabalhadores que agora estão confinados no hotel na capital amazonense. A direção da empresa tem dificultado o acesso do sindicato às informações, portanto resolvemos levar essa denúncia à mídia e aos órgãos públicos para que haja algum tipo de intervenção nessa situação dramática”, relatou à reportagem um representante da categoria.


Trabalhadores vivem medo do contágio pela Covid-19. Foto: Reprodução/Guito Moreto

Ainda segundo o sindicato, a transferência dos funcionários sintomáticos de Urucu para Manaus foi conseguida após negociação com a empresa. “Essa vinda desses funcionários foi negociada a duras penas com a direção local da Petrobrás. O objetivo é evitar mais contaminações dos trabalhadores que permanecem saudáveis atuando no local”.

A escala de trabalho em Urucu, que antes era em regime de 14x21 dias, foi ajustada para ter mais sete dias de quarentena em hotel antes do embarque. Segundo o Sindipetro, esses sete dias funcionam como uma espécie de quarentena prévia ao embarque para o local de trabalho, que são seguidos de 21 um dias trabalhando e 14 dias de folga.

Apesar disso, há a reclamação, entre outras coisas, da falta de testes no embarque e desembarque dos profissionais, falta de informação ao sindicato sobre os números de casos suspeitos e confirmados e possíveis reduções salariais. A categoria promete formalizar denúncias a órgãos fiscalizadores e da Justiça relatando o que, segundo eles, é um caso de descalabro nas unidades da Petrobrás no Amazonas.

Medo

Devido aos recentes avanços da doença e as informações dos colegas de trabalho que testaram positivo para o novo coronavírus, o Sindipetro relatou que trabalhadores que estavam de folga e iniciariam agora a sua jornada de trabalho estão temerosos com a ida para a unidade em Coari.

“Esses trabalhadores estão com medo de deixar suas casas e famílias para irem até Urucu para possivelmente se infectarem no trabalho e ter, até mesmo, o risco de levar a doença de volta para suas casa”, disse o sindicato.

Apesar de tentar contato com o setor de Recursos Humanos da unidade de Urucu, o sindicato alega que a empresa tem se esquivado de contar com a colaboração dos trabalhadores e segue “insistindo em medidas unilaterais”.

O outro lado

Questionada pela reportagem de A Crítica sobre as denúncias do Sindipetro Amazônia, a Petrobrás informou que tem implementado uma série de ações proativas e medidas preventivas junto aos seus colaboradores.

“A companhia reduziu o efetivo nas unidades operacionais ao mínimo necessário para a operação segura em atividades essenciais e reforçou a limpeza e orientações de distanciamento seguro entre as pessoas, até mesmo nos refeitórios”, disse a nota da empresa.

A empresa confirmou a implantação do monitoramento de sete dias antes do embarque, no entanto, segundo a nota, os colaboradores praticam o isolamento domiciliar, recebem orientação de equipes médicas e tem o seu estado de saúde monitorado.

“Além do monitoramento proativo feito por profissionais da saúde, os colaboradores têm acesso a um canal 24 horas para reportar sintomas eventuais. Aqueles que apresentam qualquer sintoma neste período são testados e não embarcam. E aqueles a bordo que apresentam qualquer sintoma são avaliados pela equipe médica dedicada e, configurado como caso suspeito, são desembarcados. Também são desembarcados, testados e monitorados os colaboradores que tiveram contato muito próximo (os chamados contactantes)”.

Ainda segundo a empresa, já no retorno da unidade, os trabalhadores seguem protocolos de saúde e usam máscaras conforme recomendação do Ministério da Saúde, sendo encaminhados para isolamento, onde é testado e monitorado. “Nos casos que o estado de saúde exigir, o colaborador é encaminhado diretamente para o sistema de saúde”, disse a empresa.

Questionada sobre o quantitativo de profissionais com suspeita e confirmados com a doença, a Petrobrás preferiu não informar, alegando resguardar a privacidade e o sigilo médico dos colaboradores.

A reportagem de A Crítica tentou contato por telefone com a assessoria de imprensa do hotel Taj Mahal para saber quais as medidas de segurança biológica o hotel está tomando para resguardar a saúde dos trabalhadores isolados e demais hóspedes, mas foi informada por um funcionário do local de que não estava autorizado a passar o contato do setor.

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