Terça-feira, 14 de Julho de 2020
Covid-19

CBA inicia produção de kits para testes rápidos para detecção do coronavírus

Novo Centro de Biotecnologia da Amazônia tem capacidade para produção diária 30 mil de kits específicos para diagnóstico rápido da covid-19



teste_coronavirus2603200043_CDDA990C-CF7F-41A4-8E88-74825075DAE7.jpg Lindsey Wasson/Reuters
03/04/2020 às 12:20

O novo Centro de Biotecnologia da Amazônia (CBA) iniciou a produção de kits específicos para diagnóstico rápido da covid-19 por meio de uma tecnologia exclusiva e inovadora, revelou, nesta sexta-feira (3), o diretor do Centro, Fábio Calderaro.

Isso porque o centro já produz em escala anticorpos que poderão produzir as empresas fabricantes dos kits, de modo que o Brasil possa se tornar autossuficientes desses equipamentos que hoje são importados.



Fábio Calderaro, Diretor do CBA, estima que, após passadas as etapas de validação e dependendo do investimento necessário, o Centro teria condições de ganhar escala e fornecer anticorpos suficientes para que as empresas brasileiras pudessem produzir os 30 mil testes rápidos por dia, necessidade mínima ressaltada pelo Ministério da Saúde. “Precisamos de recursos para isso e assim abastecer as empresas”, reforça.

Calderaro acrescenta que o desenvolvimento do Kit Diagnóstico rápido, além de contribuir para as ações de contenção da disseminação do novo COVID-19, trará uma nova perspectiva para o Amazonas, posicionando-o como polo de produção de kits de diagnóstico na região Norte.

O Doutor em Biotecnologia Diogo Castro, especialista em produção de anticorpos e responsável pelo projeto, explica que a mesma planta adotada pelo CBA para o COVID-19 poderá ser utilizada para produção de outros anticorpos e testes para diagnóstico de outras doenças de importância regional e nacional. Diogo tem experiência de 13 anos na Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) com produção em escala de anticorpos.

Importação dos kits

De acordo com o CBA, a Brasil possui somente dezessete marcas de kits aprovados pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) específicos para o diagnóstico rápido da Covid-19. Todas elas utilizam anticorpos e demais insumos importados, na maioria, da China. “Portanto, para a produção de Kits diagnósticos, somos dependentes do mercado externo, que atualmente também demanda muito dos mesmos insumos por conta da crise pandêmica”, ressalta Calderaro.

O diretor do CBA explica a importância dos testes rápidos para o combate à epidemia nos países afetados pelo vírus.

“Se a gente quiser fazer um ‘lockdown’ seletivo (confinamento), o ideal é que façamos testes em massa. Os testes são importantes para precisão das informações. Pode ser que os dados no Brasil são subestimados porque não temos testes suficientes. A Coreia do Sul é um exemplo que deu certo. Os sul-coreanos já fizeram mais de 500 mil testes – cerca de 800 para cada 100 mil habitantes. Os Estados Unidos fizeram cerca de 350 testes para cada 100 mil habitantes. Os nossos números são muito aquém disso. Então, é fato que precisamos de mais testes e, por isso, precisamos desses kits”, observa Calderaro.

Sabe-se também que todas as empresas brasileiras hoje conseguiriam atender apenas pouco mais 600 mil novos diagnósticos nos próximos meses. O Ministério da Saúde, contudo, prevê a necessidade de disponibilidade de 30 a 50 mil testes por dia, número muito superior à produção atual.

Isso é pouco para a população brasileira, estimada em 210 milhões de habitantes, de acordo com estimativa populacional feita pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísticas (IBGE), em 2019.

Limitação jurídica

No entanto, o CBA aguarda a assinatura pelo governo federal uma Medida Provisória que dará autonomia jurídica ao instituto, criado pelo Decreto no. 4.284, em 2002, e que desde 2004 espera por sua consolidação como centro de pesquisa.

“Vai ser muito mais fácil nós transferirmos essa tecnologia no futuro se o CBA conseguir a personalidade jurídica. A Medida Provisória que está para criar a personalidade jurídica do Centro e cortar o cordão umbilical com a Suframa, fazendo portanto que o CBA possa receber recursos privados. Principalmente às obrigações de Pesquisa e Desenvolvimento (P&D), da Zona Franca, que poderiam muito ajudar em projetos como esses e que só será possível com a assinatura dessa MP. Então, faz-se necessário que o governo federal, inclusive, acelere esse projeto de transformar o CBA numa associação pública de direito privado”, explica o diretor do CBA.

Atualmente o CBA, localizado na Distrito Industrial de Manaus, é pertence ao organograma as Superintendência da Zona Franca de Manaus (Suframa) e não possui autonomia para fechar negócios e nem receber orçamento próprio.


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