Sábado, 04 de Julho de 2020
ANÁLISE

Casos de coronavírus no interior do Amazonas podem superar Manaus em breve

Projeção é apontada em boletins do Atlas ODS Amazonas, da Ufam, que tem analisado dados sobre o avanço da doença no Estado.



WhatsApp_Image_2020-05-08_at_13.18.38_9BD6CDBF-A83F-4530-8E45-DF44E41EBDFB.jpeg Sepultamento de vítima no cemitério de Parintins (Foto: Divulgação)
11/05/2020 às 17:09

O interior do Amazonas está vivendo uma aceleração do número de casos confirmados do novo coronavírus (Covid-19) nesta primeira quinzena de maio, com potencial de ultrapassar o número de casos registrados em Manaus nos próximos dias. A projeção foi publicada em dois boletins do Atlas dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável no Amazonas, da Universidade Federal do Amazonas (Ufam), que tem analisado dados sobre o avanço da doença no Estado.

Conforme o quarto boletim do Atlas, com o aumento do número de testes, Manaus tem registrado mais casos diariamente, o que tem flexionado a curva epidêmica na cidade. Por outro lado, a pandemia tem se espalhado rapidamente pelo interior do Amazonas, o que deve deixar todas os órgãos de saúde em alerta, já que as cidades ainda dependem da estrutura de saúde pública de Manaus



A capital amazonense, aliás, segue sendo o epicentro da pandemia por concentrar metade da população do Amazonas, como foi divulgado no último boletim epidemiológico da Fundação de Vigilância em Saúde (FVS-AM), que mostrou que dos 12.919 casos confirmados, 7.264 são de Manaus (56,23%) e 5.655 do interior do estado (43,77%). De todas as cidades do interior, Manacapuru, distante 100 quilômetros da capital, tem a população mais afetada pela pandemia, com 950 registros. 

O Atlas aponta ainda que o pico de novos casos da capital pode acontecer até 1º de junho. Outra data sinalizada pela publicação é o dia 16 de julho, quando 97% dos casos previstos deverão ser detectados em Manaus.

Considerando a densidade populacional das cidades amazonenses, os pesquisadores identificaram, também, os dez municípios com a maior taxa de infecção a cada 10 mil habitantes e constataram que as cidades com mais idosos, o principal grupo de risco da doença, possuem mais vítimas em termos proporcionais. 

Figuram neste ranking Santo Antônio do Iça (102,89), Manacapuru (72,74), Urucurituba (62,12), Rio Preto da Eva (57,71), Amaturá (57,36), Tabatinga (45,28), Iranduba (42,04), Carauari (42,03), Careiro (41,46) e Tonantins (39,23).

“Já é esperado um maior número de agravamentos em cidades que apresentam o maior número de idosos, o que pode variar conforme a capacidade de atendimento de pacientes em situações graves. apontou o coordenador geral do Atlas dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável no Amazonas, Henrique dos Santos Pereira, em live transmitida via Youtube na tarde desta segunda-feira (11).

 “O número de casos de todos os municípios do interior tem se aproximado dos registros de Manaus. Por isso, estamos alertando para que todos os envolvidos no combate à pandemia se preparem para um cenário em que a demanda por leitos de UTI será cada vez maior no interior”, alertou o pesquisador.

“Não é só a composição etária da população que explica a variação da pandemia. No próximo boletim vamos abordar outros indicadores como a extrema pobreza e a composição religiosa, já que a Covid-19 praticamente se define pelo comportamento social, tais como a tendência das pessoas de formar aglomerados ou não” adiantou ele. “Enquanto que, no mundo inteiro, religiões influentes no estado proibiram as aglomerações, no Amazonas seguimos no caminho contrário ao tornar as celebrações religiosas um serviço essencial”, criticou.

Pico de mortes

Entre pacientes de Manaus, até o momento, há o registro de 691 óbitos confirmados para o novo coronavírus. 

Os 38 municípios do interior com óbitos confirmados até o momento somam 344 no total sendo a maior parte deles em Manacapuru (48), Tabatinga (35), Coari (34), Parintins (33), Itacoatiara (27), Tefé (21), Maués (20), Iranduba (18), Autazes (16) e São Gabriel da Cachoeira (10), só para citar as cidades com mais de uma dezena de óbitos.

Segundo a projeção do Atlas dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável no Amazonas, da Ufam, o pico de registros de morte por dia em Manaus pode acontecer por volta do dia 17 de maio, sendo o dia 22 de junho a data prevista para que sejam registrados 97% das mortes tendo a Covid-19 como causa. 

“As previsões são baseadas no modelo logístico, não epidemiológico. É apenas um ajuste numérico dos dados. Estamos projetando uma curva que tem como característica o crescimento logístico, isto é, uma curva que tende a desacelerar quando se aproxima do número máximo”, explicou o pesquisador Henrique dos Santos Pereira.

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Repórter do caderno Cidades do jornal A Crítica. Jornalista por formação acadêmica. Já foi revisor de texto de A Crítica por quatro anos e atuou como repórter em diversas assessorias de imprensa e publicações independentes. Também é licenciado em Letras (Língua e Literatura Portuguesa) pela Universidade Federal do Amazonas (Ufam).

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