Terça-feira, 14 de Julho de 2020
Longe de casa

Manauaras contam como tem sido encarar a pandemia fora do país

Estudante Tayane Menezes, na França, e o fotógrafo Jorge Sanneto, na Argentina, compartilham como tem sido durante a quarentena. Mais de 300 mil pessoas foram infectadas em todo mundo, de acordo com a OMS



WhatsApp_Image_2020-03-22_at_16.35.26__1__36D158C5-881A-47E0-98E8-D82196755970.jpeg As praças de Buenos Aires já estavam pouco movimentadas antes mesmo da quarentena geral FOTOS: Jorge Sanneto/Arquivo Pessoal
22/03/2020 às 16:22

Em meio à pandemia do novo coronavírus (Covid-19) no mundo e há seis meses vivendo em Paris, longe da família e dos amigos, a amazonense Tayane Menezes, 28, fez uma lista de atividades para criar uma rotina diária em seu apartamento, onde ela mora sozinha. A quarentena é obrigatória na França

“Para sair de casa é necessário ter um atestado de deslocamento [disponibilizado na internet pelo governo francês] para o caso de alguém precisar sair de casa a trabalho, fazer compras ou visitar alguém doente. Quem não apresentar uma dessas três justificativas pode ser multado em até 135 euros [o equivalente a R$ 734]. Estou tendo algumas aulas à distância nesse período”, relata ela, que só tem tido contato com amigos e familiares pela internet.



Para suportar o período de reclusão em outro país, Tayane tem procurado se concentrar em torno das suas obrigações acadêmicas na Universidade Sorbonne, onde ela cursa ciências sociais.

“Escrevo e corrijo artigos, aproveito para fazer leituras pendentes, testo receitas novas e no tempo livre dentro do meu tempo livre [risos] eu assisto aos meus programas e filmes favoritos. O importante é manter a mente ocupada”, disse ela, destacando que a universidade francesa intensificou o apoio psicológico aos alunos por meio de chamadas de vídeo nesse período de pandemia.

"Independentemente da pandemia, as universidades francesas oferecem assistência médica aos alunos, com ginecologista, dentisa, psicólogo etc. Por conta do momento que o país vive, a universidade entende que é importante manter as sessãos de psicoterapia à distância, de acordo com a disponibilidade do profissional e do aluno", completa.

Quarentena na capital argentina

Quem também está atravessando a pandemia do covid-19 longe da terra natal é o fotógrafo Jorge Sanneto, 30, que desde janeiro desse ano mora em Buenos Aires, capital da Argentina.

“Eu fico a maior parte do tempo em casa. A maioria das pessoas tem agido dessa forma. Ao longo dessa semana, as praças, sempre movimentadas, estavam vazias. Nos cafés da cidade a circulação foi mínima. As linhas de ônibus estavam reduzidas e só algumas estações de metrô operaram. No geral, o clima é de medo e, como não há limite de compras, é comum que algumas pessoas estoquem mantimentos, de modo que outros não estão conseguindo comprar o que precisam no mercado”, conta.

Desde a última sexta-feira (18), o presidente argentino Alberto Fernández decretou quarentena total no país pelo menos até o dia 31 de março. A quarentena está sendo vigiada por policiais e soldados do Exército. Só tem sido permitidos o trânsito de pessoas que justifiquem estarem indo comprar alimentos e remédios, buscar dinheiro em caixas eletrônicos ou a ir a um hospital buscar atendimento. Quem circular nas ruas fora dessas justificativas pode ser punido com penas de prisão de 1 a 15 anos por atentado à saúde pública.

Diante de uma quarentena obrigatória, com 225 casos confirmados de covid-19 no país, dos quais quatro mortos, o que mais tem preocupado o amazonense é a família que ficou em Manaus, em especial os avós, que fazem parte do grupo de risco.

“Isso me causa certa ansiedade. Para me distrair, tenho feito cursos on-line e registro os meus pensamentos em um diário como uma forma de desabafar. Todos os dias eu estabeleço pequenos objetivos, como ler um livro, assim consigo manter um certo equilíbrio emocional”, disse.

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Repórter do caderno Cidades do jornal A Crítica. Jornalista por formação acadêmica. Já foi revisor de texto de A Crítica por quatro anos e atuou como repórter em diversas assessorias de imprensa e publicações independentes. Também é licenciado em Letras (Língua e Literatura Portuguesa) pela Universidade Federal do Amazonas (Ufam).

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