Sexta-feira, 07 de Agosto de 2020

Venezuela denuncia à ONU 'negligência criminosa do Brasil na pandemia'

Só mentiras. A Venezuela enfrenta o coronavírus com uma grande opacidade epidemiológica


A vida é feita de escolhas. Escolher, necessariamente, requer abrir mão de alguma coisa, na expectativa de ganhar outra. O governo do ditador Maduro decidiu olhar para os problemas do país vizinho e não para os de seu país, para ganhar o respeito do mundo com números oficiais inacreditáveis sobre os casos do coronavírus.

 O ditador Maduro ficou de olho no governo do Brasil, e enviou uma carta à Organização das Nações Unidas (ONU) denunciando a "atuação irresponsável" do governo do presidente  Jair Bolsonaro, na resposta à pandemia do novo coronavírus.

Foi ainda mais longe e descreveu o governo brasileiro como "uma bomba humanitária que ameaça a saúde dos países da América Latina".

O diplomata considerou a abordagem do governo brasileiro nas regiões de fronteira uma "negligência criminosa" que é "causa de grande alarme", tendo em conta a mobilidade de milhares de migrantes venezuelanos.

Tudo isso é feito pelo embaixador da ditadura Samuel Moncada, no intuito de aparecer ante a comunidade internacional como um governo  competente na luta contra a pandemia, mas eu quero esclarecer que o governo do ditador Maduro não garante a saúde do povo venezuelano de jeito nenhum. 

Nos venezuelanos  enfrentamos  uma prolongada e grave crise política e econômica, que afeta também o sistema de saúde do país. Além da escassez  de remédios, equipes médicas, leitos e insumos básicos em hospitais, falta água e energia. Também falta proteção para o pessoal sanitário e para as estruturas hospitalares.

Pior ainda é a falta de profissionais da saúde que emigraram porque não tinham mais qualidade de vida e os salários já não davam conta das despesas pela alta inflação, que é a mais alta do mundo.

O embaixador Moncada afirma ainda que "a Venezuela implementou, desde o início da pandemia, uma série de medidas para garantir a proteção e o bem-estar" dos venezuelanos e que o país tem as menores taxas de contágio e os menores números de casos proporcionais à população na América Latina e Caribe".

Só mentiras. A Venezuela enfrenta o coronavírus com uma grande opacidade epidemiológica, na qual chama a atenção uma reduzida capacidade de verificar os contágios. Oficialmente, para o dia 17/06  alcançavam 3.150 pessoas confirmadas, 27 mortes e 835 recuperados.

Na verdade é que os venezuelanos ficaram em casa porque não tinham gasolina para abastecer seus veículos. A falta de gasolina em todo o país tornou ainda mais rigoroso o distanciamento social provocado pelo novo vírus. Simplesmente,  sem combustível, a Venezuela, país com as maiores reserva de petróleo, parou.

A quarentena para frear a expansão da covid-19 serviu para ganhar tempo, no entanto, a ditadura negociava a compra de combustível, porque o país que vendia a gasolina mais barata do mundo agora precisa importá-la e paga caro por ela.

A escassez de combustível desacelerou a propagação do coronavírus e também deixou a comida mais distante para 80% dos venezuelanos que não ganham o suficiente para comprá-la, para quem vive do que vendem a cada dia e não pode contratar um serviço de entrega a domicílio, e muito mais longe os remédios, que os doentes só conseguem após horas de viagem rodoviária até a fronteira com a Colômbia.


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