Segunda-feira, 13 de Julho de 2020

Ficar em casa é uma forma de morte para trabalhadores informais

Amazonense começou "tirando graça" da pandemia, mas depois o medo do coronavírus esvaziou as ruas da cidade, deixando trabalhadores aflitos


Tenho percebido que o amazonense ama sua liberdade e leva tudo na brincadeira. No final de semana passado ouvi pelas redes sociais:  “O povo que resiste à merenda dos terminais de ônibus de Manaus, ao picolé da massa cuspido, à banana em saquinho do centro (frita por alguém com as unhas bem sujas), ao churrasquinho de gato em cada esquina da cidade, ao tucumã descascado pela faca que limpou a unha do vendedor... Coronavírus, tu estás é lascado, quem deve ter medo é tu, leso! Amazonense tem imunidade”.

Porém, não é só o amazonense que é brincalhão. Acho que a maioria dos brasileiros é assim. Alias são muito parecidos com os venezuelanos. É coisa do jeitinho caloroso, do improviso, de sol na pele, da irreverência. É otimismo, de quem não leva nada a sério, de cumprimentar tocando e beijando. No caso é nossa idiossincrasia latina, acho. Sempre mostrando as emoções, não é verdade?

No domingo, na Europa, todo mundo estava em casa em quarentena. No entanto, os jornais mostravam as praias de Rio de Janeiro lotadas e o presidente Jair Bolsonaro cumprimentando com as mãos seus apoiadores em uma manifestação com centenas de pessoas. E se suspeitava que ele tinha contraído o coronavírus, porque 10 da comitiva que o acompanhou a Miami já testaram positivo para covid-19.

É serio mesmo

Na terça, 17 de março, os anúncios das Secretarias estaduais de saúde que contabilizam 349 infectados em 17 estados do Brasil e no DF, junto à primeira morte acontecida no Estado de São Paulo parecem ter deixado os amazonenses com medo de ficar pelas ruas.

“Pai, pai, tudo está parado. Não tem trânsito, nem passageiros”, disse o motorista de micro ônibus que falava pelo celular ao passar pela Djalma Batista às 11h30 daquele dia.

Ele estava certo. Dava para ver poucos carros na rua em um horário que sempre tem engarrafamento e o micro ônibus tinha muitas cadeiras disponíveis. Na frente do Colégio Militar do centro, a multidão de pessoas que sempre lota o ponto de ônibus estava ausente. A maioria eram camelos e comerciantes das lojas com poucos clientes para atender.

Totalizavam já 200 mil casos de corona vírus e 8 mil mortes em todo o mundo.

O problema dos brasileiros, venezuelanos e latino americanos é que mais da metade da população ganha a vida no trabalho informal.  Não tem possibilidades de fazer teletrabalho, é na rua mesmo que se consegue o dinheiro para pagar as despesas. Ficar em casa em quarentena é para os trabalhadores informais uma forma de morte, mas a morte econômica.


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