Sexta-feira, 07 de Agosto de 2020

Crise dentro da crise: fronteira fechada e desafio enorme nos abrigos

Meus irmãos venezuelanos que entraram no Brasil pela fronteira com Roraima enfrentam protocolo rígido implementado pela Operação Acolhida para que a pandemia do Coronavirus não passe para os abrigos


Com a pandemia do Coronavirus, há 2 meses a fronteira do Brasil com a Venezuela está fechada. A Operação Acolhida, criada para oferecer assistência emergencial aos imigrantes venezuelanos que entram por Roraima, não pode receber ninguém nem tem processos novos em andamento, contou o Comandante da Força-Tarefa Logística Humanitária, General de Divisão Antonio Manoel de Barros, que entrevistei semana passada.

Fiquei preocupada porque o Comandante me disse “Hoje é um grande desafio manter a operação com a pandemia do Covid-19. É uma crise dentro de outra crise. A crise de saúde dentro da crise humanitária”.

Somam 6.000 venezuelanos vulneráveis acolhidos em 11 abrigos, divididos em Famílias e Solteiros, e mais 500 no abrigo indígena. Atualmente, 640 militares realizam a força-tarefa humanitária e implementaram um protocolo rígido para que a pandemia não passe para os abrigos, com três ações fundamentais: monitorar, isolar e tratar, conforme o seu Plano Emergencial de Contingenciamento para o Covid-19.

No domingo 17 de maio havia nos abrigos de Boa Vista, Pacaraima e Manaus, 161 venezuelanos em isolamento, 145 casos suspeitos, 44 positivados e, unicamente, 1 óbito.

Do outro lado da fronteira ficaram muitos outros venezuelanos vulneráveis com seus sonhos de uma vida melhor na mala. Lutando no combate contra a pandemia e sobrevivendo à falta de energia, água, alimentos e agora de gasolina.

Para o Comandante Barros, a solução humanitária para os imigrantes venezuelanos não é oferecer abrigo e sim a interiorização, ou seja, o deslocamento voluntário de Roraima para outros estados brasileiros, com objetivo de inclusão socioeconômica.  Concordo com ele, especialmente se eles saírem com vaga de trabalho sinalizada para que possam se sustentar.

Desde o início da estratégia de interiorização, entre abril de 2018 até o dia 11 de maio de 2020, já foram interiorizadas 35.567 pessoas para mais de 376 cidades brasileiras em 24 Unidades da Federação.

Esse número soma os esforços realizados pelo Governo Federal, Agências das Nações Unidas e organizações da sociedade civil. Eu sou muito grata pela acolhida no Brasil e pela proteção social e alimentação que recebem meus irmãos em situação vulnerável.

A meta para 2020 é a interiorização de 36 mil pessoas, 3 mil por mês, e foi cumprida em janeiro e fevereiro. Já para março, com a pandemia, ela foi reduzida a 1.200.  Agora, o objetivo é 1.000/mês.  Os meus irmãos venezuelanos estão começando um processo de capacitação intensa para estarem prontos para partir.


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