Terça-feira, 20 de Outubro de 2020

Esticando a corda

Há muita gente esticando a corda da maneira ou na direção erradas. Basta pensar na quantidade de discussões nacionais desnecessárias acontecidas durante o distanciamento social.


30/05/2020 às 10:40

Hoje não é dia pra se falar no passado! É hora de planejar o futuro. Na  segunda-feira, dia 1º de junho, iniciaremos o caminho da volta gradual à normalidade rotineira, num calendário que seguirá até julho, com algumas atividades ainda sem data prevista para reabertura. De início, serão 4 etapas, condicionadas ao resultado do número de novos contágios e da ocupação de leitos de UTIs na capital. Se não tivermos prudência, não emplacaremos a segunda etapa, ou outras subsequentes, e seremos obrigados a retornar ao período de restrição e de distanciamento social. E não se trata de uma possibilidade remota: em Santa Catarina, seis em cada 10 casos de covid-19 aconteceram após a reabertura do comércio!

Agora grande parte do sucesso da reabertura social estará em nossa responsabilidade. Se decidirmos todos lotar os shoppings e os grandes varejos, se desistirmos de usar máscara e se relaxarmos nos procedimentos sanitários, podemos  nos programar para um novo isolamento social. Valerá a lei da ação e reação, à qual ninguém escapa! A cada ação nossa corresponderá uma  reação na mesma intensidade e na mesma direção, mas com sentido oposto. Será o famoso “bateu, levou”. Tenho certeza que grande parte de nós está ansioso, até um pouco temeroso pelo que enfrentará. Ainda estamos lidando com o desconhecido, sem uma medicação curativa efetivamente comprovada pela ciência e sem uma vacina para o vírus! Viveremos um “novo normal”.

Mas não seremos os mesmos de antes da pandemia. Nossa memória afetiva estará repleta das recentes perdas de parentes, amigos e conhecidos e plena de dores. Estaremos também cumulados pelas reflexões que fizemos quanto ao convívio familiar! A proximidade proporcionada pelo confinamento nos mostrou o quão ruins, ou não, são nossas ligações afetivas e o que é preciso modificar ou aprofundar. Estaremos, por assim dizer, desafiando o vírus e esticando a corda com o contágio! Precisaremos ser fortes e estratégicos. A exemplo do que diz o poeta, nunca foi tão verdade que “disciplina é liberdade”.

Voltaremos emocionalmente revirados em nossos valores, em nossas necessidades e em nossos desejos. E há situações que ainda estão em nível inconsciente, que serão percebidas com o tempo.

Entretanto, em meio a tudo isso, um cenário inusitado, inesperado e imprevisível, há muita gente esticando a corda da maneira ou na direção erradas. Basta pensar na quantidade de discussões nacionais desnecessárias acontecidas durante o distanciamento social! Gente que esticou a corda, falando contra o isolamento, apenas visando o lucro, seja pela venda de um produto, de um serviço ou de uma casinha no céu! Enquanto eles negavam a gravidade do problema, víamos os nossos morrerem! Gente que disse que era normal ou aceitável a morte dos idosos, quando todos nós torcemos pelo aumento da expectativa de vida com qualidade.

Teve gente que usou da dor pra fazer política, e montou palanque sobre caixões e sepulturas, inventando que eles estavam vazios, num oportunismo desnecessário, quando a demanda era de união em torno da superação dos problemas. Gente que espalhou mentiras, fake news, em níveis inimagináveis e que agora desafia ministros do Supremo, que falta com o respeito com um dos três poderes e com o coletivo dos brasileiros. Esse acirramento político, essa exaltação de ânimos para ganhar questões no grito, sob forma de ameaças, não é a prioridade! A saúde e o emprego são as prioridades! Sim, estamos cansados de esticar a corda desnecessariamente! E pau que bate em Chico deve poder bater em Francisco; do contrário não há cidadania e sim servidão. Não queremos encontrar ou criar inimigos, precisamos de aliados. Segunda-feira começa o futuro e ele dependerá muito de nossas atitudes em muitas áreas! Será o primeiro dia do resto de nossas vidas. Desejo a você um Feliz Ano Novo! Ou um Feliz Ano Velho! Depende de nós. #Pensa


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