Terça-feira, 20 de Outubro de 2020

De Volta à Realidade

Apesar dos cenários aterradores, nunca se viu tanta gente defendendo medidas nocivas ao meio ambiente e demonizando os ambientalistas.


11/07/2020 às 10:55

Com o recuo na pandemia de covid-19 em Manaus, começamos a perceber outros assuntos importantes em nossa realidade diária. Não é hora de relaxar nas medidas sanitárias e de isolamento preventivo, não se trata disso; mas de voltar a atenção a outras tragédias que temos vivido e que não podem virar paisagem. Bom exemplo é a questão ambiental, que ocupou destaque na mídia local, nacional e internacional durante toda a semana que passou. Só não sei se nos tocamos quanto à gravidade do assunto.

É sabido de toda a polêmica de desmatamento da Amazônia em 2019, um dos piores anos, com imagens comprovadas de satélite, etc e tal. E não adianta ser negacionista: os dados saltavam aos olhos. Mas infelizmente 2020 está pior. Batemos um novo recorde de alertas de desmatamento em junho deste ano! De janeiro a junho de 2020 a devastação cresceu 25% em relação ao ano passado. Nos últimos 11 meses, de agosto de 2019 a junho de 2020, a destruição da floresta avançou 64% em relação ao período de agosto de 2018 a junho de 2019.

Afirmar que existe alguma coisa de muito errada é chover no molhado. Sim, existe. Nunca se viu tanta pressão para a liberação de mineradoras e de garimpos na Amazônia. E eu repito a pergunta que fiz na semana passada: alguém conhece algum lugar que tenha enriquecido sua população com garimpo? Não bastou Serra Pelada? Em termos de grandes mineradoras, não basta o que vimos em Mariana e em Brumadinho? Não foi suficiente o vazamento em barragem de rejeitos da empresa Hydro Alunorte, em Barcarena, no Pará, provocando contaminação e doenças? Parece que não!

Apesar dos cenários aterradores – e se você os desconhece, informe-se via Google – nunca se viu tanta gente defendendo medidas nocivas ao meio ambiente e demonizando os ambientalistas. Não acredito que seja ignorância, apenas. São muitas coisas ruins reunidas que provocam esse levante contra tudo aquilo que fala em conservação da natureza. Insiste-se na defesa de interesses econômicos de muito poucos, em detrimento ao interesse coletivo. Parece que queremos começar a inverter papéis, tornando mocinhos em bandidos e vilões em heróis, para justificar o injustificável.

Enquanto segue a sanha destruidora, nossas cidades e nossos cidadãos detém os piores índices ambientais e de qualidade de vida, em saneamento, em arborização, em mobilidade urbana, em poluição de cursos dágua em área urbana. É a famosa casa de ferreiro: as capitais da Amazônia fazem exatamente tudo aquilo que está em desacordo com o bom trato do meio ambiente e da qualidade de vida da população. E pelos números e índices, nossa casa de ferreiro não tem espeto de pau: aqui o espeto é de papel.

E você deve estar se perguntando o que pode fazer em relação a isso. A primeira coisa, sem dúvida, é se comprometer, é questionar, é falar a respeito. E buscar sintonia em suas ações com a conservação do meio ambiente. Afinal, quem é você? Aquele que considera o curupira um mocinho, ou um bandido? A quem ou o que você defende? #Pensa


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