Sexta-feira, 15 de Outubro de 2021

Indígenas enfrentam o déficit da participação

Dos 550.862 mil candidatos nas eleições de novembro, os indígenas somam 2.175, o que corresponde a 0.39% do total


Os povos indígenas de 45 dos 62 municípios do Amazonas participam das eleições municipais deste ano com um total de 490 candidaturas. São oito candidatos a prefeito, 19 a vice-prefeito e 463 a vereador. Os municípios com maior número de candidatos indígenas são, respectivamente, São Gabriel da Cachoeira (127), Santa Isabel e São Paulo de Olivença (41), Amaturá e Benjamin Constant (38).

Com base nas estatísticas do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), o indigenista Guenter Francisco Loebens, o Chico, do Conselho Indigenista Missionário do Norte I (Cimi), elaborou um quadro da participação indígena nas eleições deste ano no item candidaturas e partidos. Os candidatos estão afiliados em 28 siglas partidárias.

São elas: Avante (19); Cidadania (2); Democracia Cristã (DC -2); DEM (16); MDB (33); Patriota (6); PCdoB (23); PDT (4); PSC (39); PSD (33); PSDB (20); PSL (24); PSOL (12); PT (54); PTB (18); PTC (1); PL (18); PMN (2); Podemos (Pode – 21); PP (36); PROS (11); PRTB (1); PSB (4); PV (13); Rede (8); Republicanos (39); Solidariedade (16).   

As candidaturas indígenas que disputam prefeituras são as de Andre Bibi (PSDB), em Autazes; Gerôncio Filho (PT), Barcelos; Fidelis Baniwa (PSOL) e Profª Mariazinha (PSL), em Santa Isabel do Rio Negro; e Prof. Geraldo (PV), Clóvis Corubão (PT), advogado Ednaldo (DC); e Pascoal (Solidariedade), em São Gabriel da Cachoeira que aparece como cidade com maior número de candidatos indígenas a prefeito. Clovis Corubão tenta a reeleição.

Este primeiro mapa das candidaturas indígenas, neste ano, no Amazonas exprime aspectos da mobilidade político-partidária indígena e de maior participação na disputa de espaço de poder via processo político eleitoral no Estado. Ainda pequena, a presença de candidaturas indígenas nas eleições municipais de 2020 aumentou e indica outro movimento dos indígenas, por meio de instâncias representativas, em direção aos poderes executivo e legislativo onde são tratados como pessoas invisibilizadas na lógica de “os votos indígenas são bem-vindos; os candidatos indígenas não”.

A eleição da advogada Joenia Wapichana (Rede Solidariedade /RR) para a Câmara dos Deputados, primeira mulher indígena eleita a esse cargo, e o perfil de atuação da parlamentar classificado como um dos mais atuantes na Câmara (que possui 513 deputados), produz ressonância positiva entre os povos indígenas. Joenia tornou-se a voz dos indígenas no Congresso Nacional e está à frente de uma série de iniciativas que tentam ampliar o diálogo com os indígenas e barrar propostas que, se aprovadas, representarão perdas de conquistas e concretização de ameaças a vida desses povos.

A Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (APIB), em outros espaços, atuou na articulação de candidaturas indígenas em todo o País. No modelo nacional, a candidatura indígena depara-se com um sistema que exige dela exercícios muito mais complexos para ser viabilizada, fruto de um longo período de exclusão dos indígenas na vida nacional. Dos 550.862 mil candidatos nas eleições de novembro, os indígenas somam 2.175, o que corresponde a 0.39% do total de candidaturas (TSE/2020). Esta é uma das expressões do perfil da democracia representativa brasileira, anômala. A ela acrescente a reduzida presença das mulheres (maioria do eleitorado) em cargos eletivos nos governos e no parlamento, do povo preto, dos quilombolas.  Empatar, nessa luta, como propunha Chico Mendes, é uma das tarefas.


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