Quarta-feira, 28 de Outubro de 2020

A dependência de nós

Tentativa de independência do Brasil confronta-se com o projeto de dependência a partir de sucessivas decisões governamentais


A noção de independência  precisa voltar a ser matéria de estudo em todos os níveis formais de educação e os não formais. Sabemos mais da dependência que da independência, pior quando a ideia de independência refere-se a um país. O que vimos na maioria das ideias circulantes no dia 7 de Setembro – independência do Brasil - nos vincula a um estado de dependência conformizado.

Aprender a independência exige saber sobre o que é dependência, o dicionário é farto nos exemplos, depender de..., assujeitamento. O Brasil escreve uma história onde a tentativa de independência confronta-se com o projeto de dependência a partir de sucessivas decisões governamentais.

Os projetos, quando olhados com lupa, denunciam a posição preferencial pela conduta dependente. Nas escolas, o tema é ignorado, esquecido. Faz-se mais pelos arranjos de um determinado empreendedorismo, ensinado com ênfase no ensino fundamental e nas universidades. Os tutoriais sobre o homem e a mulher empreendedores estão por todas as partes e são facilmente acessados. Sabe-se mais a respeito do empreender e do agronegócio que dos contextos da independência de uma nação.

O que se percebe no Brasil de agora é o aprofundamento da sujeição brasileira. No plano geral, ao governo dos Estados Unidos, ao governo Donald Trump. É a própria expressão do assujeitamento governamental e, por ele, de amplos setores do Brasil que entendem como referência de democracia, de liberdade, de direitos, os EUA. Fazem da política do “green card”uma espécie de benção e muitos se apresentam dispostos a pagar qualquer preço para serem abençoados. O problema é quando gestores públicos decidirem transformar esse ideal individual em meta de governo.

Independência é um estado de espírito que se vincula à liberdade e também esta não é matéria importante, chega a ser recepcionada como piada. Deixamos de lado esses aprendizados e nos deixamos encaixotar pela lógica do pior capitalismo.

O Brasil do Dia 7 de Setembro de 2020 está assujeitado. Encolhido. Truculento. Misógeno. Corrupto coberto com a bandeira brasileira. Vive um cenário de profunda violência e opta pela morte. Morte de mais de 120 mil brasileiros pela COVID-19; morte das mulheres; morte do povo preto; das juventudes; dos povos indígenas; MORTE DA AMAZÔNIA; morte dos nossos melhores sonhos e da nossa esperança. Independência se constrói com ideais de liberdade e se realiza no dia a dia.

Que neste aniversário do Brasil, possamos reafirmar o compromisso de aprender e compartilhar os conhecimentos da independência que supera o assujeitamento e abre caminho à leitura crítica das realidades e nos proporciona contemplar o sol, a lua, as estrelas, a humanização da humanidade sem muros para saber e aceitar que os não humanos são parte de nós e, todos, somos filhas e filhos da Natureza.

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