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Otto mergulha no amor em novo disco

07/08/2017 às 13:51 - Atualizado em 07/08/2017 às 13:52
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Rosiel Mendonça

Cinco anos se passaram desde que Otto gravou o disco “The Moon 1111”, mas os temas de amor continuam orbitando as composições do pernambucano, que acaba de lançar um novo álbum, “Ottomatopeia”. Produzido por Pupillo, da banda Nação Zumbi, o trabalho traz 10 faixas autorais, além de uma versão irresistível de “Meu dengo”, hit de Roberta Miranda, cuja voz também aparece na regravação.

Otto estava dentro de um taxi, a caminho do ensaio para o show de lançamento do disco, quando conversou com a reportagem por telefone. Para começar, ele falou sobre a demora na entrega de “Ottomatopeia”, anunciado há pelo menos dois anos: “Acredito que todo disco tem que vir pensado, conceituado, então sempre passo por um profundo momento durante a gravação de um novo trabalho. É quase um parto”.

Mas ele também põe nessa conta o baque sofrido com a complicada situação política do País. “Depois desse golpe, paramos tudo para viver uma tortura midiática, então esperei até a hora em que teria condições de falar algo. Não sou panfletário, nas músicas falo dos sentimentos de quem vive o mundo de hoje, cada vez mais fascistas e com as conquistas sociais sendo bloqueadas”.

O pernambucano diz responder a tudo isso falando de amor – um amor que em “Ottomatopeia” às vezes vem cheio de melancolia, e outras vezes se mostra pronto para exorcizar as decepções. “Quando você toca no amor, a política também está dentro, e quanto mais falo de amor mais consigo desabafar, porque não adianta pular em cima de ninguém para brigar”, diz.

Pérolas

Otto considera o disco novo como seu trabalho mais “completo” até hoje. Segundo ele, tudo parece mais maduro em “Ottomatopeia”: harmonia, poesia e música. “As interpretações estão muito viscerais e verdadeiras. Me passa a impressão de algo genuinamente pronto, o que me causa extrema alegria e satisfação. Eu já vinha buscando essa segurança, e a produção do Pupillo trouxe isso. Tivemos a equipe perfeita”.

O artista destaca ainda as parcerias do álbum, como a que resultou na faixa “Carinhosa”, feita com Zé Renato. “Virei parceiro de um grande gênio da nossa música, uma pessoa sofisticada que deixou meu nível de composição lá em cima”. Para Roberta Miranda, Otto reserva mais elogios: “Ela me deu esse presente de regravar ‘Meu dengo’ comigo e com a Céu para a trilha do filme ‘Quase samba’, e resolvi resgatar isso”.

Outra pérola é “Teorema”, que conta com as guitarras dos paraenses Manoel e Felipe Cordeiro, pai e filho. “Sempre sou atento ao que é produzido no Norte, até pela proximidade geográfica e musical com o Nordeste. O que toca no Norte toca em mim”. Em Manaus, Otto só esteve uma vez, há mais de 10 anos, quando fez participou de um show da banda Jota Quest no antigo festival Ecosystem. “Um dia estava em Olinda e me cobraram um show em Manaus. Queria encontrar um produtor para me levar. Avisa aí”, completou o músico, rindo. Está dado o recado.