Terça-feira, 20 de Outubro de 2020

O investimento na cultura e uma cena musical que se renova

No artigo da semana, o gestor cultural João Fernandes destaca novas produções da música amazonense que chegam cheias de potência nesse período de mudanças


30/08/2020 às 10:46

Por João Fernandes*

 Já virou uma máxima: que nos reconstruímos após as tempestades, nos renovamos, renascemos. Até Guimarães Rosa já havia poetizado que viver é um rasgar-se e remendar-se. Assim é a cultura, esse lugar de muitos momentos e esse reinventar-se constante. 
Com o período de isolamento isso também se tornou uma questão de necessidade. E para alguns as mudanças rápidas da tecnologia e seu consumo permitiu uma grande expansão artística de possibilidades. 
Seria um novo momento que estava adormecido e começamos a perceber esse “Vulcão” de que me travessa e que me leva a um “Céu de Lurex” me dizendo que são “Luas para tantas faces”. Sim a natureza respira e inspira essas três novas produções que chegam cheias de potência, profissionalismo e destaque para a cena da música amazonense, porém essa relação se potencializa, pois encontra em outras linguagens o suporte para ganharem destaque. Uma produção audiovisual cheia de percepções necessárias para quebrarmos essa ideia do Exótico amazônico e que muitas vezes fica numa linha tênue do gosto. Estilos diferentes em cada Clipe, porém se aproximam na qualidade, no simbolismo, na representatividade e no ineditismo. 
Três mulheres, Elisa Maia, Anne Jezini e Karine Aguiar, que representam uma diversidade necessária para a contemporaneidade.  Ainda é muito recente para falamos do gosto e dos palcos que esses novos singles ainda vão explorar, porém não acredito estar errado em dizer que os três trabalhos potencializaram esse período que ficamos absorvendo conteúdos externos no nosso novo mundo virtual. 


Sim podemos fazer arte com pouco? Podemos, porém quando essa arte tem investimentos agrega, potencializa e transborda. Alguns desses trabalhos citados foram contemplados em editais do Prêmio Conexões Culturais de Manaus. Daí a importância da continuidade dessas ações necessárias e que começam a atingir o que se pensa de política pública: o fomento, a difusão e o intercâmbio. É necessário termos esses exemplos para quando nos perguntam dos resultados dessas ações, disponibilizarmos os links e dizer que a arte precisa sim de investimentos cada dia mais, pois amplia as cadeias produtivas e redesenham os novos mapas do fazer artístico brasileiro. A cultura é o caminho para aproximarmos essas distancias geográficas, agora quebradas pela urgência das tecnologias e de estarmos conectados e que do Amazonas possamos potencializar e nos lança para novos desafios. 
 

 

 

*João Fernandes é artista,  gestor cultural e professor universitário. Formado em Gestão Cultural pela Universidade Cândido Mendes, Técnico em Artes Cênicas pela Universidade Federal do Ceará, graduado em Dança pela Universidade do Estado do Amazonas, mestre em Letras e Artes pela UEA.Professor dos cursos de Graduação em Dança e Teatro e Coord. da Pós-Graduação em Produção Cultural da UEA. Gestor do Casarão de Idéias.
 


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