Terça-feira, 01 de Dezembro de 2020

O desafio da continuidade nos investimentos da cultura

No artigo da semana, o gestor cultural João Fernandes comenta o sucesso da produção O Barco e o Rio, premiado no Festival de Gramado, e que contou com investimentos


27/09/2020 às 11:08

Por João Fernandes*  

 Embora a cultura não seja entre as áreas mais decisivas da ação de governo, a transversalidade dessa pasta em qualquer gestão possibilitará aproximar e entender a dinâmica que uma cidade vive, consome e suas transformações. 
         Pensar a continuidade dessas ações hoje é fundamental para entendermos a questão do fomento, difusão e intercâmbio da arte. 
É necessário começarmos a mensurar esses investimentos para constatarmos que eles são de fundamental importância para a população. Esses terão um forte impacto social, pois aproxima várias novas formas de apreensão do conhecimento. 
          Ao aproximarmos de nossa realidade amazônica podemos poetizar tudo isso em um cotidiano conhecido por muitos: O barco e o rio. 
         Bem mais que um cotidiano para fotografarmos, e tantas vezes cantadas e contadas por diversos artistas agora ganha: direção, elenco e roteiro pelas lentes de Bernardo  Abinader e Valentina Ricardo . Um curta-metragem que conquista um feito inédito para o estado do Amazonas. Ser o nosso representante no Festival de Cinema de Gramado na mostra competitiva esse que é em um dos maiores festivais de cinema do País e que pela primeira vez tem um representante do estado. 
         Nesse exemplo que para muitos parece algo simples, mas necessário para compreendermos que cultura é um investimento e agrega-se duas ações de políticas públicas necessárias e diárias: o fomento e a formação. 
         Egressos do curso de audiovisual da Universidade do Estado do Amazonas que encerrou a formação após a conclusão de duas turmas, embora tenha feito todo um investimento em equipamentos além de proporcionar o que muitos não teriam e nem possuem que é possibilidade de estudar fora do estado. 
         E o fomento que vem sendo realizado a nível do Prêmio Manaus de Conexões Culturais que teve fundamental importância para o desenvolvimento dessa obra que agora ganha as telas do País. 
        Acreditar na Cultura é prospectar investimentos e perceber que essa tríade: formação, fomento e difusão é o que nos aproximará sempre do resto do país e do mundo. 
        Transformar esse potencial em realidade é algo que pode colaborar para que se ultrapasse a visão da simples função de fomento fragmentado e sem direção muitas vezes percebidas pelo poder público e possibilite que essa torne-se um instrumento capaz cada vez mais visível para a percepção da diversidade cultural e das linhas que a estruturam e projete nosso fazer artístico.

 

 

 

 

 

*João Fernandes. Artista, gestor cultural e professor universitário.    Formado em Gestão Cultural pela Universidade Cândido Mendes, Técnico em Artes Cênicas pela Universidade Federal do Ceará, graduado em Dança pela Universidade do Estado do Amazonas, mestre em Letras e Artes pela UEA.Professor dos cursos de Graduação em Dança e Teatro e Coord. da Pós-Graduação em Produção Cultural da UEA. Gestor do Casarão de Idéias.


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