Quarta-feira, 05 de Agosto de 2020

A Cultura e o reencontro com a humanidade

Sinais começam a ser dados de que a cultura voltará transformada e conectada ainda mais com os elementos da natureza e suas transformações e adaptações


28/06/2020 às 03:29

Por João Fernandes*

      Durante esse período de quarentena muita arte circulou pela web criando e aproximando o público de artistas, espetáculos, shows e as famosas lives. Uma imagem com um poema bem especial também circulou que trazia o seguinte contexto: ficar sem  AR te sufoca. Sim foi um período sufocante para todos em especial para os trabalhadores da cultura.

      Agora começamos a arte do encontro e, embora haja tantos desencontros, temos que seguir e pensar em como a cultura volta a reencontrar os seus espaços e seu público. Sinais começam a ser dados de que a cultura voltará transformada e conectada ainda mais com os elementos da natureza e suas transformações e adaptações. Somos seres adaptáveis desde nossa criação e agora temos um novo recomeço.

O Grande Teatro do Liceu de Barcelona estava fechado desde março, na sequência da pandemia da Covid-19, e agora reabriu para o seu primeiro concerto desde então, contando com uma plateia cheia... de plantas.

Os 2.292 lugares do espaço foram preenchidos com plantas naquela que é uma iniciativa para demonstrar o regresso à normalidade de uma perspectiva diferente.

       Ao som de Puccini, começamos a ver a arte assumindo seu papel tão importante na sociedade e sinalizar que estamos caminhando para esse reencontro íntimo e necessário.

      Com menos pessoas nos lugares será possível potencializar o estado de contemplação e uma maior conexão com artista, obra e público. Em outro momento falaremos sobre as experiências serem ainda mais valiosas nesse novo comum que a vida irá seguir.

       Acredito que podemos chamar de invenção do cotidiano esse novo momento tão brilhantemente sugerido por Michel de Certeua nas suas artes do fazer que lindamente pronuncia o fim de uma época e como enunciar o que fez viver.

       A cultura então volta às pautas, com novos protocolos e produtos, porém se mantém como serviço essencial para continuarmos pensando nesses novos modos de criação, contemplação e difusão.

       E como aproximar tudo que começará a ser experimentado em outros lugares às nossas práticas locais? Pois isso também será necessário para que nossa identidade cultural possa estar presente e cada dia mais registrada como nossa forma de olhar e perceber o mundo.

        Os desafios agora batem à porta para que possamos nos reencontrar. Será lindo e necessário que isso seja feito com nossa hospitalidade tão sempre elogiada e com o a presença dessa floresta que ocupará cada vez mais as plateias e os palcos desse nosso gigante Amazonas.

 

* João Fernandes é artista, gestor cultural e professor universitário, Gestor Cultural com formação pela Universidade Cândido Mendes, Técnico em Artes Cênicas pela Universidade federal do Ceará (UFC), graduado em Dança pela Universidade do Estado do Amazonas (UEA), Mestre em Letras e Artes pela Universidade do Estado do Amazonas e Doutorando em Administração de Empresas pela Universidade de Fortaleza (UNIFOR). Atualmente é professor dos cursos de Graduação em Dança e em Teatro  e Coordenador da Pós-Graduação Latu sensu em Gestão e Produção Cultural  na Universidade do Estado do Amazonas . É diretor da Associação Cultural Casarão de Idéias. 

 

 

 

 


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