Domingo, 27 de Setembro de 2020

A cultura começará a viver um não lugar?

Em seu artigo da semana, o artista, professor e gestor cultural João Fernandes fala sobre como a cultura começa a mover-se com adaptações e novas ocupações no período pós-pandemia


26/07/2020 às 14:15

Por João Fernandes*

Desde pequenos, a calendarização de festas, eventos e outras manifestações culturais nos acompanham e nos possibilitam organizarmos para acompanhar e vivenciarmos esses momentos. O ano de 2020 mudará essa configuração e nos levará ao novo não lugar? 
Começamos a nos mover, e agora culturalmente ensaiamos essa volta para tentarmos agendar festas populares, eventos e projetos que muitas vezes possuíam data, local e público específico para sua realização.  O mundo começa a ganhar outros espaços nesse sentido de impessoalidade e de novas simbologias para estarmos vivenciando essas ações que ganham, por outro lado, novos adeptos. 
       Culturalmente Manaus começa a se organizar e percebemos que esses retornos ganham espaços e divergências. E como equalizar? Temos que seguir qual protocolo para esse equilíbrio? 
       Uma instalação poética no Casarão de Idéias, uma exposição de obras artísticas na reabertura de um dos mais tradicionais bares de Manaus e a reabertura do nosso templo das artes: o Teatro Amazonas com agendamento e virtualmente. Temos algumas ações que sinalizam que a cultura começa a mover-se  com adaptações e novas ocupações. Poucas divergências sobre essas ações. De um outro lado as festas populares que outrora já se estenderam e ganharam conotações como: festas agostinas também começam a pleitear o seu retorno e sua cadeia econômica. 
     No meio de tudo isso, o nosso maior evento popular, o Festival Folclórico de Parintins, divide opiniões e fomenta expectativas.  A mudança de data seria esse novo lugar e a quebra dessa representação contratual e simbólica do período? Ou entendemos que a relação de todos com a festa vai para além de uma data? Claro que nesse pensamento entrariam várias questões dos que querem a realização e os que acham que essa deve ser adiada. Porém ficaremos observando e entendendo que as novas plataformas ganham o mundo. Vivenciamos uma postagem manauara que chegou a ser compartilhada pela diva do pop e isso significa que esses novos lugares podem gerar novos espectadores e construir novas simbologias para nossas produções culturais que permitem o acesso, comprovam a identidade e autorizam o deslocamento da impessoalidade. 
       Assim será a nova rotação da terra, e os novos lugares serão qualquer possibilidade de ação e nós gestores teremos que nos conectar com esse novo 360 º graus e as novas possibilidades para executarmos e continuarmos fazendo arte. 
 

 

 

 

 

*João Fernandes - Artista,  gestor cultural e professor universitário. Formado em Gestão Cultural pela Universidade Cândido Mendes, Técnico em Artes Cênicas pela Universidade federal do Ceará (UFC), graduado em Dança pela Universidade do Estado do Amazonas (UEA), mestre em Letras e Artes pela UEA.Professor dos cursos de Graduação em Dança e Teatro e Coord. da Pós-Graduação em  Produção Cultural da UEA.


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