Quarta-feira, 28 de Outubro de 2020

Velho tempo novo

Por: Lourenço Braga / Tanto mais se afastava do mundo competitivo que conhecia, mais o homem se aproximava de valores verdadeiros que deixara de mão


29/05/2020 às 16:51

Desde fevereiro, o mundo inteiro vive o que se poderia chamar de dois extremos humanos: o medo de uma doença desconhecida da Ciência, com forte capacidade de propagação e grande poder de destruição, e, de outro lado, a redescoberta de valores que vinham sendo postergados, esquecidos e até combatidos ante a necessidade cada vez mais premente de vencer, de crescer, de competir, mesmo que à força de sufocação de eventuais rivais na corrida desenfreada em busca do que se convencionou chamar de sucesso.

Ameaçado por inimigo novo, invisível a olho nu mas com letalidade desafiadora, o Homem foi sendo progressivamente compelido a recolher-se, fugindo aos abraços, aos apertos de mão, à convivência do escritório, da loja, da praça, do shopping center, do restaurante, e foi sendo transferido para uma vida virtual, com os instrumentos tecnológicos modernos criando novas opões de viver, proporcionando formas não muito exploradas de convivência e acabou conhecendo o que se poderia chamar, tomando de empréstimo à educação, de vida à distância. E o delivery acabou por assumir papel de relevo.

Curiosamente, tanto mais se afastava do mundo competitivo que conhecia, mais o homem se aproximava de valores verdadeiros que deixara de mão e começou a dispor de tempo para olhar à volta de si próprio. Nesse exercício diário a que muitos se haviam desacostumado, reencontrou a capacidade de reconhecer o outro, próximo ou distante, justo porque o medo fez a todos iguais.


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