Quarta-feira, 28 de Outubro de 2020

UEA - Primeiro vestibular no interior

Por Lourenço Braga, do Instituto Geográfico e Histórico do Amazonas


28/08/2020 às 17:36

Enquanto se concluía a realização das provas para os cursos de Manaus, que como se viu foram distribuídas em três etapas à vista da grande procura por mais de 140 mil candidatos – o que conduziu à necessidade de aplicação do teste de conhecimentos gerais em 3 dias distintos, compreendendo duas semanas – realizavam-se as inscrições em todos os 61 municípios do interior do Estado, onde o interesse também surpreendeu. Novo e grande desafio, com estrutura diferente, que incluía a equipe da Secretaria de Administração, o pessoal do ISAE e da Ativa, da Zeina Neves, além de professores do quadro da Secretaria de Educação.

Além dos cursos de Educação, Direito, Administração, Dança, Música e Turismo, que funcionariam em Manaus e  que os alunos do Interior podiam disputar, tratava-se, como destaquei em artigo anterior, do preenchimento de 800 vagas da área de Educação em Parintins e em Tefé, distribuídas entre os cursos Normal Superior e Licenciaturas Plenas em História e Geografia, Química e Biologia, Física e Matemática, além de Letras, com 40 vagas em cada turma e turno. A isso somavam-se 160 vagas da área de saúde, provenientes da reserva de 50% do total para alunos do Interior, distribuídas por polos geográficos, assim:

Autazes, Barcelos, Borba, Careiro Castanho, Careiro da Várzea, Iranduba, Nova Olinda do Norte, Presidente Figueiredo, Rio Preto da Eva, Santa Izabel, São Gabriel da Cachoeira. 23 vagas, sendo 9 para Medicina e 7 para cada um dos dois outros cursos (odontologia e enfermagem);

Lábrea, Boca do Acre, Canutama, Pauini, Tapauá 9 vagas, distribuídas igualmente entre os cursos;

Eirunepé, Carauari, Envira, Guajará, Ipixuna, Itamarati, com distribuição igual à da calha do Purus;

Humaitá, Apuí, Manicoré, Novo Aripuanã com 5 para medicina, 3 para enfermagem e 3 para odontologia;

Itacoatiara, Itapiranga, São Sebastião do Uatumã, Silves, Urucará, Urucurituba, que ficaram com 27 vagas, sendo 11 para medicina e 8 para os demais;

Parintins, Barreirinha, Nhamundá, Maués, Boa Vista do Ramos 31, sendo 11 para medicina, 10 para enfermagem e 10 para odontologia;

Manacapuru, Anamã, Beruri, Caapiran-ga, Manaquiri, Novo Airão, 15 vagas no total, divididas igualmente pelas 3 áreas;

Coari, Codajás, Anori, com 5 para medicina e 3 para cada um dos outros dois cursos;

Tefé, Alvarães, Japurá, Juruá,  Maraã, Uarini, Jutaí, Fonte Boa, com 5 vagas para cada curso;

Tabatinga, Atalaia do Norte, Benjamin Constant, Amaturá, Santo Antônio do Içá, São Paulo de Olivença, Tonantins, 3 vagas para medicina, 3 para enfermagem e 3 para odontologia.

A inscrição, também gratuita e que se realizou em todos os municípios do interior, deu-se entre 1º e 06 de março de 2001, e a entrega dos cartões de confirmação no período de 18 a 23 daquele mês. No dia 15,  o jornal A Crítica registrou:: “30.403 INSCRITOS - UEA TAMBÉM TEVE GRANDE PROCURA NO INTERIOR - Município que mais inscreveu candidatos para a UEA foi Parintins, seguido de Itacoatiara, Tefé, Manacapuru e Coari - A procura pelo vestibular da Universidade do Estado do Amazonas (UEA) no interior foi grande, acima das expectativas da coordenação do concurso. Nos 61 municípios, 30.403 candidatos se inscreveram para disputar as 1.930 vagas oferecidas pela UEA neste primeiro período. Parintins inscreveu o maior número de candidatos ao vestibular: 4.604 Outros municípios com número expressivo de inscrições foram Itacoatiara, com 2.804; Tefé, com 2055; Manacapuru, com 2.054; e Coari, com 1.749 inscritos.A entrega dos cartões de confirmação de inscrição começa a ser feita a partir de hoje e continua até o próximo dia 23 deste mês nos mesmos locais onde os candidatos se inscreveram. As provas serão realizadas no dia 25, em 15 municípios. Metade das 320 vagas oferecidas para os cursos de Ciências da Saúde (Medicina, Odontologia e Enfermagem) são exclusivas para candidatos residentes no interior. Os cursos serão ministrados em Manaus e os candidatos do interior que forem aprovados deverão se mudar para a capital, a fim de cursarem as disciplinas. Na hipótese de a quantidade de candidatos classificados não ser suficiente para o preenchimento das vagas destinadas ao polo, serão convocados candidatos classificados no polo imediatamente seguinte, observada rigorosamente a ordem de classificação.”

As provas realizaram-se no dia 25 de março e o agrupamento de municípios por polos geográficos serviu também para o estabelecimento dos locais de realização das provas do vestibular, considerando os lugares de inscrição dos candidatos.

Assim é que fizeram prova em Manaus, candidatos inscritos na capital e nos municípios de  Autazes, Barcelos, Borba, Careiro Castanho, Careiro da Várzea, Iranduba, Nova Olinda do Norte, Presidente Figueiredo e Rio Preto da Eva;

Em São Gabriel da Cachoeira, as provas destinaram-se aos inscritos ali e em Santa Izabel do Rio Negro;

Lábrea foi o município sede de prova para os candidatos do rio Purus, englobando também Boca do Acre, Canutama, Pauini e Tapauá;

Os candidatos do Juruá, inscritos em Eirunepé, Carauari, Envira, Guajará, Ipixuna e Itamarati, fizeram prova em Eirunepé;

Humaitá foi sede para candidatos inscritos ali e em Apuí;

Em Manicoré fizeram prova os que se inscreveram ali e em Novo Aripuanã;

Os de Itacoatiara, Itapiranga, São Sebastião do Uatumã, Silves, Urucará e Urucurituba fizeram prova em Itacoatiara;

Candidatos inscritos em Parintins, Barreirinha e Nhamundá, tiveram por local de prova o município de Parintins;

Fizeram prova em Maués os que se inscreveram ali e em Boa Vista do Ramos;

Manacapuru foi local de prova para os residentes ali e em Anamã, Beruri, Caapiranga, Manaquiri e Novo Airão;

Os candidatos de Coari, Codajás e Anori fizeram prova em Coari;

Aos de Tefé, Alvarães, Japurá, Juruá, Maraã e Uarini, foram aplicadas provas em Tefé;

Os de Fonte Boa e os de Jutaí fizeram vestibular em Fonte Boa;

Os inscritos em Tabatinga, Atalaia do Norte e Benjamin Constant, tiveram como sede de prova Tabatinga;

Fizeram prova em São Paulo de Olivença os que se inscreveram ali e em Amaturá, Santo Antônio do Içá, São Paulo de Olivença e Tonantins.

Outra particularidade em relação aos alunos do interior interessados na área de saúde foi a exigência, para matrícula de aprovados, de comprovação, de residência no município de inscrição, que poderia dar-se por certidão de domicílio eleitoral passada pelo Cartório da Zona Eleitoral correspondente, ou Atestado firmado pelo Juiz de Direito ou pelo Promotor de Justiça, ou ainda, na falta dessas autoridades, pelo Delegado de Polícia ou pelo Chefe da repartição fazendária local.

No dia 12 de abril os resultados vieram para Manaus, publicados em edição especial na mesma tarde e um dos jornais destacou: “Saiu agora a pouco o resultado do vestibular da Universidade do Estado do Amazonas (UEA). A relação dos aprovados foi divulgada pela Coordenação Geral de Concursos da Fundação Getúlio Vargas, Eliane Edde, coordenadora da FGV, desembarcou no início da tarde no aeroporto internacional Eduardo Gomes.Responsável pela elaboração, aplicação e correção das provas dos dois concursos, a FGV encerrou a leitura dos cartões e fase final de concussão dos trabalhos ontem.Na disputa pelas 1.930 vagas oferecidas pela UEA estavam 180 mil candidatos que se inscreveram. Em Manaus, os cursos mais disputados foram Administração Pública e Direito, com 60.415 candidatos, ou seja, 40% dos quase 148 mil inscritos. A última etapa do vestibular, que envolveu quinze municípios do interior, terminou no dia 25 de março. Os 30.303 candidatos também concorrem a vagas da capital. O maior interesse foi pelos cursos da área de saúde (medicina, odontologia e enfermagem) com 12.105 inscritos para os três cursos, equivalente a 40% do total.”

Entrevistado, o governador Amazonino Mendes considerou que “a história da educação no Amazonas se divide em duas fases: antes e depois da UEA” e afirmou, conforme veículo local: “o caminho está aí. A forma transparente como foi feita a divulgação do resultado do vestibular completa a fase inicial de implantação da instituição.  Novos vestibulares vão acontecer e a disposição do governo é ampliar ao máximo o número de vagas, oferecendo o máximo de oportunidades, disse o governador, que considera que a UEA só foi possível pela estabilidade administrativo-financeira do governo. Amazonino destacou também a credibilidade da universidade. Só para se ter uma ideia, a Comissão de Ensino Jurídico do Conselho Federal da OAB aprovou de imediato o curso de Direito da UEA, o que mostra como essa universidade nasce forte e com credibilidade.”

Foram muitos os registros de conquistas destacáveis, como a de um humilde carvoeiro, que ganhava o sustento de sua família entregando sacos de carvão que conduzia nas próprias costas no Município de Rio Preto da Eva, aprovado para o curso de Enfermagem, que passou a trabalhar na Secretaria de Cultura, ou a de um operário da construção civil que trabalhou, como pedreiro e como pintor, na reforma do prédio onde passou a funcionar a Universidade no município de Parintins, aprovado para curso da área de Educação, fazendo diferente do que o grande Zé Ramalho disse, em tom de protesto, na sua música “Cidadão”, registrando que a filha do pedreiro não conseguiu matricular-se na escola que ele ajudou a construir, “fazendo a massa, pondo cimento, ajudando a rebocar”, porque a ela foi dito “criança de pé no chão aqui não pode estudar.”


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