Quarta-feira, 28 de Outubro de 2020

A busca incessante

Por Humberto Figliuolo / Farmacêutico


25/08/2020 às 16:43

A felicidade parece sempre estar em algum outro lugar, em que não estamos.

Em seu afã de amenizar a vida e suprimir desconfortos e dores, o homem descobriu substâncias eficazes que, infelizmente, num uso desvirtuado, podem escravizar física e emotivamente os indivíduos. Pessoas de todas as classes sociais têm usado tais drogas, destes tempos imemoriais. Não há mesmo prova de que haja algum grupo étnico imune à toxicomania.

A busca incessante ao mundo dos tóxicos é preocupante. Por que chegou a adolescência? Alguns adolescentes com personalidades instáveis, desgostosos, céticos e desanimados, são formados em lares cheios de atritos e discordâncias, se tornam facilmente sugestionáveis e influenciáveis às amizades nocivas que abrem as portas para o uso das drogas.

O desajuste da adolescência é um velho fenômeno, estudado e comentado sob todos os aspectos que se apresentaram até aqui. Mas estamos diante de um fato novo. A juventude tornou-se um grupo social: tem modos próprios de vestir, de falar, de se expressar. Tem gostos e modos que a converteram num mercado consumidor avidamente explorado. Tem um lugar à parte na opinião pública. Mas não tem seu lugar próprio. Não se encontrou ainda.

Um dia é abordado por alguém que lhe oferece uma passagem grátis para o tal mundo fantástico. Começando a jornada pelo cigarro, bebida alcoólica. E então sorve avidamente a bolinha (anfetaminas) traga o cigarro de maconha ou toma algum atalho mais rápido, mais tóxico.

De principio não sente nada, a não ser tossir muito e sentir náuseas e sono.

Começa a levar os cigarros de maconha para casa, tranca-se em seu quarto e coloca musica muito alta e passa horas e mais horas. Os pais começam a desconfiar da mudança de comportamento do filho, mais não fazem nada devido a agressividade do filho. As peças de valores começam a desaparecer. Os pais aflitos procuram ajuda para o filho, mas não conseguem resultado.

O filho sai de casa e vai envolver-se com outros dependentes que, são mais de um milhão de brasileiros. As drogas não só acaba com a vida deles: é devoradora parra as famílias.

A dependência química é catalogada pela Organização Mundial de Saúde como doença fatal e primária, ou seja, não é decorrente de nenhuma outra e, ao contrario desencadeia outras moléstias. Portanto, quando a cura é impossível até mesmo reduzir o ritmo da progressão do problema tem sido considerado satisfatório pelos especialistas.

Dados da mesma fonte a dependência química é a oitava causa para solicitação de internação hospitalar, sendo ainda responsável por 64% dos homicídios, 39% dos estupros, 80% dos suicídios, 60% dos casos de agressão a crianças, de 35% a 64% dos acidentes de transito e como o terceiro motivo para o afastamento do trabalho. O abuso de substancias psicoativo causa danos de proporções alarmantes e a ciência medica se desdobram para conter o avanço dessa tragédia.

Se as medidas de controle, fiscalização e repressão são oportunas e necessárias, bem como a difícil tarefa de reabilitar os dependentes em drogas, a nossa esperança maior está na prevenção.

Prevenção é educação. Se conseguirmos avançar um passo, significará importante vitória na luta do homem frente à dramática realidade das drogas.

Porque só os governos não reconhecem que a maioria esmagadora da população brasileira está privada dos direitos à saúde, educação, segurança, transporte e trabalho. Como sempre o clientelismo e o fisiologismo, falam mais alto.

O futuro está mais que ameaçado. “Dois terços da humanidade não comem e um terço não dorme com medo da revolta daqueles que não comem”, Josué de Castro.


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